Nenhuma pessoa minimamente coerente contesta o fato de que tanto no Brasil como nos EUA as forças reacionárias de extrema-direita estão ganhando cada vez mais força. Enquanto no Brasil temos o endeusamento de nomes fascistoides como o de Jair Bolsonaro e uma eleição expressiva da bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia) para o legislativo, nos EUA temos o crescimento perigoso de um racismo nacionalista que se manifesta com o apoio preocupante ao republicano Donald Trump. O crescimento dessa extrema direita em pleno século 21 é algo que desafia a compreensão humana, mas que pode encontrar justificativas em três pontos. O primeiro foi a voz e os direitos que os grupos oprimidos ou tradicionalmente ligados à esquerda ganharam: direitos esses que passaram a incomodar o status quo. O segundo foi a ascensão da classe trabalhadora, que fez com que a classe média se sentisse ameaçada em sua arrogância elitista. O terceiro foi que ter um presidente negro nos EUA e outro operário no Brasil, este último seguido por uma mulher, foi uma afronta aos conservadores. O reacionarismo, o racismo, o machismo e a intolerância sempre existiram, mas agora eles perderam a vergonha na cara diante de todas essas provocações. O ambiente tornou-se propício para que nomes nazifascistas começassem a ganhar evidência nas Américas. No caso do Brasil é ainda mais grave, porque a grande mídia dá mais munição ainda na luta unilateral contra o PT – PT este que é visto como uma "ameaça esquerdista" para a massa reacionária da classe média – o que alimenta, assim, ainda mais esses monstros neofascistas. A burguesia assustada e indignada é o motor do fascismo. Isso tanto é verdade que esse furor reacionário só começou a se manifestar novamente depois que o PT chegou ao poder. Entre os governos de Sarney e FHC, os grupos neonazistas, neofascistas, reacionários e ultranacionalistas estavam muito quietos ou eram uma minoria desprezível. Já hoje...
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| Os ídolos da extrema-direita |
Quando vejo a classe média e pequena burguesia se manifestar nas ruas supostamente contra a corrupção – já que ela é contra a corrupção do PT, mas vota no PSDB – eu me lembro daquela frase: "Quando o fascismo cresce, silenciar é ser cúmplice". Enquanto houver essa histeria paranoica e violenta para combater o Foro de São Paulo e dizer que há "Marxismo Cultural" nas escolas, essa onda pseudonacionalista não vai parar de crescer. Será que é isso que queremos para o nosso futuro? Será que é tão impossível assim viver em um país com menos desigualdade e preconceito?


















