terça-feira, 10 de maio de 2016

Não existe mídia "imparcial"


Há muitas pessoas ingênuas que acreditam no conto da "imparcialidade da imprensa" defendido amplamente pela grande mídia. Porém é preciso dizer que essa tal imparcialidade simplesmente NÃO existe. Todos os meios de comunicação possuem interesses políticos e partidários próprios. Além disso, mesmo que quisessem, seria impossível ser 100% imparcial. A própria escolha das notícias que serão publicadas em um jornal já é parcial. Isso porque é absolutamente impraticável noticiar tudo que acontece no espaço limitado de jornais e telejornais, o que os obriga a usar o filtro da seletividade parcial para decidir o que vai ser divulgado ou não. A forma de apresentar as notícias também não tem como ser totalmente imparcial, porque o simples fato de ter que escolher entre usar a voz ativa ou a voz passiva em uma manchete, por exemplo, pode mudar substancialmente o ponto de vista sobre uma matéria. Isso, claro, sem falar do uso da hierarquia de informações que é um das maneiras mais explícitas de se transmitir parcialidade.
Então quem acredita em imparcialidade da mídia é, desculpe o termo, um midiota. A imprensa, que é o quarto poder, age – propositadamente ou não – como formadora de opinião. Isso é um fato. As pessoas que acham que estão se informando estão, na verdade, sendo induzidas a ter o mesmo ponto de vista dos editores dos jornais que elas leem ou assistem. Apesar disso tudo, não existe problema algum no fato da mídia ser parcial. O problema é quando há grandes conglomerados e oligopólios midiáticos comandando o jornalismo no Brasil. E é aqui que entra a grande mídia brasileira, formada por meia dúzia de família ricas que praticamente monopolizam os meios de comunicação. A maior delas é/são as Organizações Globo, que tem verdadeiros poderes de Estado.

Os três patetas magnatas da mídia nacional

A Globo, como bem se sabe, é de direita e defende com unhas e dentes os ideais da elite econômica brasileira e norte-americana. A Globo e os seus múltiplos tentáculos servem de porta-voz da plutocracia predatória que domina o Brasil desde sempre. A caçada implacável contra o PT, Lula e Dilma ocorrendo em coalizão entre Globo, Moro, Janot, Gilmar, Temer e companhia limitada mostra explicitamente os interesses antidemocráticos da elite oligárquica brasileira. A Globo, mais uma vez, se mostra inimiga da democracia e do Brasil. Além de ser agente ativa do Golpe, a Globo tem influenciado a mente dos seus telespectadores e até mesmo pressionado a posição de alguns políticos, como Renan Calheiros e Waldir Maranhão, que mudaram de opinião após investidas da empresa para favorecerem o Golpe. É o famoso lobby em ação. Waldir Maranhão, por exemplo, teve alguns minutos de achincalhamento no JN e foi ameaçado de expulsão pelo próprio partido: fatos estes que o obrigaram a recuar na sua decisão de anulação do impeachment. Renan Calheiros, que todos sabem bem a peça que é, não recebeu nenhuma crítica da Globo exatamente porque esteve do lado da mesma, mantendo o rito do Golpe. Enfim, mais uma amostra explícita da "imparcialidade" da Globo.


A solução para esses problemas é a democratização da mídia. Não é possível que um país tenha a sua televisão controlada por seis famílias. Isso é ridículo. Nos países sérios, de primeiro mundo, a mídia é democratizada. Já aqui, é um cartel patético que favorece à poderosa Globo. Sou a favor de múltiplas emissoras e múltiplos jornais recebendo a mesma verba publicitária do governo, mesmo que elas (as emissoras) defendam ideias que não me agradem. É preciso ter liberdade de imprensa, sim: porém, essa liberdade não pode exceder limites constitucionais a ponto de ser usada para perseguir políticos e derrubar governos de forma autoritária. A internet, graças à tecnologia, não é manipulada e tem espaço aberto para todos montarem os seus próprios jornais, blogs e canais no YouTube para noticiarem o que quiser. E a mídia precisa justamente disso: de liberdade e democracia. Do contrário, teremos que aturar a direita oligárquica usando o jornalismo como sua arma mais eficaz para manter as pessoas burras e manipuladas.


segunda-feira, 9 de maio de 2016

O xadrez político atinge o seu apogeu


Apesar do presidente interino da Câmara, o deputado Waldir Maranhão (PP-MA), ter causado uma euforia precoce na ala governista ao anular a votação do impeachment, isso, em termos práticos, não significa muita coisa. A oposição já pediu a cassação de Waldir Maranhão e o presidente do senado, Renan Calheiros, fez papel de Pôncio Pilatos, lavando as mãos ao rejeitar a decisão do presidente interino da Câmara. Já o PT e Waldir Maranhão prometeram recorrer da decisão de Calheiros: fato este que pode judicializar o processo de impeachment. Enfim, uma trama política rocambolesca cujo final parece estar cada vez mais imprevisível.
Esse verdadeiro jogo de xadrez político que estamos vivenciando mostra lances complexos repletos de nuances maquiavélicas cujos resultados são muito difíceis de calcular. Isso nos leva a crer, indubitavelmente, que a compreensão da nossa atual conjuntura política não é para amadores ou pitaqueiros pernósticos das redes sociais. Os historiadores do futuro terão uma dor de cabeça enorme para descrever nos livros toda essa balbúrdia que a disputa pelo poder está causando hoje. Até mesmo peças supostamente descartadas deste jogo, como Eduardo Cunha, por exemplo, são capazes de exercer grande influência neste jogo político. Dizem até que o presidente interino da Câmara, o Sr. Waldir Maranhão, é homem de honra do Cunha: fato este que pode indicar que a decisão pela anulação teria como objetivo atingir Michel Temer e os antigos aliados que estariam "abandonando" Cunha. Outros já dizem que a decisão pela anulação do impeachment foi financiada pela base governista. Enfim, tudo especulação. O fato é que poucos sabem ao certo o que realmente ocorre nos bastidores dessa trama política. O que resta a nós, telespectadores, é aguardar pelos próximos capítulos – ou melhor: pelos próximos lances – para tentar compreender melhor quem está planejando o quê e para onde essa bagunça toda está nos levando.

domingo, 8 de maio de 2016

Musiquinhas para a FIESP


Para o domingo não passar em branco, deixo duas canções em resposta ao antiproletarismo golpista da FIESP. A primeira é um coral que resume os intuitos da FIESP. Já a segunda é uma famosa canção interpretada pelos Garotos Podres e que traduz o que eu penso toda vez que falam sobre a FIESP.


sábado, 7 de maio de 2016

Vem aí o desgoverno Temer


Que o governo Temer será uma mistura do que houve de pior entre Sarney e FHC, isso ninguém duvida. O que algumas pessoas podem duvidar é que ele consiga fazer o pior governo da história. Para os que duvidam disso, vou deixar anexado abaixo dois vídeos que mostram que Michel Temer é capaz de se aliar ao que tem de pior na política para montar base para o seu desgoverno que já nasce condenado.





Para saber quais são os outros nomes cotados para fazer parte do governo Temer, aqui há uma lista dos aspirantes a ministros. Enfim, uma tragédia total..

sexta-feira, 6 de maio de 2016

De volta para o futuro do pretérito

Confesse: você já estava com saudade desse tempo, não estava?

Que o impeachment, vulgo Golpe, de Dilma Rousseff virou cabo de guerra político-ideológico, isso ninguém discute. O que não faltam são pseudos cientistas políticos nas redes sociais dando a palavra final sobre fatos que até mesmo juristas renomados não conseguem ter pleno consenso. Só lembrando que o tema envolvendo orçamento público é complexo e necessita de conhecimento mínimo para ser abordado. Mas antes de qualquer conclusão sobre o assunto, é bom que se digam duas coisas fundamentais.

A primeira é que o impeachment é algo seríssimo que só deve ser usado em casos extremos onde o chefe do poder executivo tenha cometido claramente um crime doloso. Considerar categoricamente que a assinatura de créditos suplementares e as pedaladas fiscais são crimes de responsabilidade faz parte de uma conclusão arbitrária que depende da forma com a qual se interpreta a Lei do Impeachment. Por isso mesmo, a decisão, no final das contas, acaba sendo política – e não técnico-jurídica, como deveria ser. O problema disso tudo é que estamos aplicando, inconscientemente ou não, interpretações subjetivas que se parecem muito com a exegese e a hermenêutica bíblicas para decidir o futuro do país. Ora, isso é gravíssimo. As acusações para o impeachment são fracas, superficiais, forçadas e tendenciosas por apontarem irregularidades contábeis ao invés de criminais. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, aquele que julgou o Mensalão, alertou sobre isso diversas vezes. Impeachment feito por razões que requerem interpretação pessoal e que dividem um país não tem chance de terminar bem. Se a Dilma fosse acusada de corrupção ou de um crime que realmente fosse indiscutível, essa polarização seria bastante reduzida, porque haveria uma prova concreta e clara de crime. Mas como não foi isso que vimos, as consequências para essa aventura política destrambelhada e irresponsável podem ser imprevisíveis. Até mesmo os governadores estão correndo o risco de serem impichados, porque a maioria deles também fez as tais pedaladas. Se a Presidente da República for afastada por isso, por que os demais também não seriam? Só por isso já se vê como as coisas podem ficar realmente complicadas num futuro próximo.

A segunda coisa a se dizer é que não estamos olhando para o contexto geral dos fatos, que envolvem política externa, crise internacional do capitalismo, crise internacional do petróleo, quedas de governos progressistas em Honduras e no Paraguai, o Banco do BRICS incomodando o FMI, a vingança do corrupto Eduardo Cunha contra Dilma e a velha elite burguesa querendo aumentar ainda mais a sua fatia do bolo. Como bem disse o ex-presidente da OAB Marcello Lavenère: “O impeachment tem o cofre e o cérebro fora do País”. É preciso parar de ingenuidade e ignorância, e olhar também para uma série de outros fatos suspeitos ocorrendo simultaneamente. Por exemplo, quem acha que as ações sincronizadas entre a Globo e o juiz Sérgio Moro foram meras coincidências, é um ingênuo total, para não dizer coisa pior. A Fiesp, que é uma das maiores patrocinadoras do impeachment, tem interesses que não são simplesmente os de baixar os impostos e o preço do feijão. O astrólogo medieval radicado nos EUA, Olavo de Carvalho, também possui interesses que não são simplesmente os de combater os "comunistas" do PT e do Foro de São Paulo. Os financiadores do MBL, por sua vez, têm propósitos que não se resumem a ressuscitar o neoliberalismo patológico disfarçado de combate à corrupção do PT. Falando nisso, o integrante mais notável do MBL, Kim Kata sei-lá-o-quê, que se aliou ao corrupto Eduardo Cunha, cai em contradição o tempo inteiro quando debate com alguém que conhece alguma coisa mais que os vilões dos Power Rangers. Disso aí já se vê o nível da oposição que temos hoje no Brasil e o porque esse impeachment, vulgo novamente Golpe, é uma das coisas mais vergonhosas, ridículas e lamentáveis já vistas na histórica deste país. Nada em política acontece por acaso e tudo está interligado por uma imensa teia onde o simples bater de asas de uma borboleta no Japão pode causar um tufão no Brasil.


Agora junte todo esse contexto a uma massa de manobra despolitizada – e que pensa que não é protofascista – que você tem os ingredientes certos para trazer a década perdida de volta para o futuro: para o futuro do pretérito. Futuro este onde teremos a volta da super inflação, crise econômica, queda drástica do PIB, queda do poder de compra, estagnação da economia, aumento da dívida externa, fuga de investidores e um desemprego ainda maior do que temos hoje. E ao contrário do que pregam os neoliberais: não, o governo do PT, apesar de ser ruim, ainda não chegou a este ponto.
Pode apertar os cintos, porque vêm turbulência das grandes por aí. Vários conhecidos e ex-colegas meus estão deixando o Brasil para morar no exterior, porque eles sabem bem que teremos tempos difíceis pela frente na terra achada por Pedro Álvares Cabral. Tire a sua pochete e o seu walkman da gaveta, porque estamos a caminho dos anos 1980 em pleno século 21.

“Infeliz a nação que precisa de heróis.”
(Bertolt Brecht)