terça-feira, 25 de julho de 2017

Em terra de cego, quem tem um olho é anormal


A vida tem me ensinado que não adianta absolutamente nada você ser uma pessoa douta, cética e racional quando está cercada por pessoas ignorantes por todos os lados. Qualquer um que enxergue coisas que os outros não são capazes de enxergar é imediatamente taxado de louco, esquisito, doente e mentiroso. Enxergar além do senso comum nos torna alvos fáceis de ataques, perseguições e até de pena. As pessoas querem ou nos agredir, ou, na melhor das hipóteses, nos internar para curar a nossa "anormalidade" que é tratada como doença. E os seres humanos, em sua maioria, são assim: combatem o diferente. Quem tem um olho em terra de cego é tratado como uma aberração – e não como rei. Logo, essa pessoa precisa ser cegada para virar "normal" igual às outras. A normalidade vira, portanto, um tipo de loucura coletiva socialmente aceita como "correta".


Quando o Dr. Eneas Carneiro, por exemplo, denunciou a destruição do Brasil através de um neoliberalismo selvagem imposto pelo sistema financeiro internacional, a primeira coisa que fizeram foi tratá-lo como um louco paranoico. Quando o primeiro ministro israelense Yitzhak Rabin assinou o acordo de paz de Oslo, foi prontamente assassinado por se opor à violência irracional que perdura de forma crônica até hoje entre palestinos e israelenses. Quando Galileu Galilei contrariou o senso comum de sua época ao dizer que a Terra girava em torno do Sol, logo foi condenado pela inquisição. E assim seguem outras centenas de exemplos de tantos "caolhos" que foram tratados como aberrações por não estarem na escuridão da ignorância de uma maioria que tem uma ilusão de conhecimento totalmente autodestrutiva. Essa maioria que acha que sabe de tudo e que se baseia em convicções ao invés de provas é que faz a humanidade caminhar para trás a cada dia que passa. E assim, as poucas vozes lúcidas vão se calando até que todos tenham sido cegos pela ilusão de conhecimento, pelo preconceito e pela estupidez, indo rumo a um abismo.
 

Em terra de cego, quem tem um olho tem que fingir que é cego também para não ser vítima da truculência de uma maioria que jamais saberá o quão injusta e ignorante está sendo.

0 comentários:

Postar um comentário