terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Precisamos de soluções reais para problemas reais


Tenho evitado escrever sobre política de uns dias para cá para preservar a minha saúde mental. Mas sempre tem uma coisinha ou outra que eu acho que vale a pena comentar. Uma delas é a ilusão de muitos bolsominions com a possibilidade de vitória do inominável nas eleições de outubro. Não creio que Jair Bolsonaro tenha chances reais de se reeleger, porque o cara vive em uma realidade paralela e continua governando como se vivêssemos nessa realidade feérica neoconservadora. O brasileiro não está com medo de comunismo, kit gay e de outros inimigos imaginários criados pela extrema-direita. Brasileiro está com medo do desemprego, da inflação, da violência, do baixo poder de compra e desses preços absurdos que não param de subir. Eu acho que é exatamente este o motivo que inviabiliza a vitória do inominável nas eleições de outubro. Ele lascou o país economicamente, não tem solução para nada e só sabe usar questões morais e fake news para ganhar voto. É por isso que um sujeito desse perde para todo mundo no segundo turno. Acho que nem se ele levasse mais dez facadas durante a eleição seria capaz de se reeleger.

A gente precisa olhar para quem tem propostas para resolver os reais problemas do Brasil. Esqueça o moralismo vazio e o negacionismo oportunista. Precisamos de soluções reais para problemas reais. Ou será que você continua com medo dos "comunistas que comem criancinha"? Por favor, né? Vamos acordar para a realidade.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

A falta que a educação sexual faz


Já tem mais de dez anos que eu debato sobre sexualidade, objetificação, pornografia e prostituição na internet. E, invariavelmente, quando se fala dos problemas da sexualidade humana, fala-se, majoritariamente, do grande bode expiatório que foi criado para se desviar o foco dos verdadeiros problemas: a pornografia. Igrejas, feminismo abolicionista, NoFap, ativismo e até alguns grupos progressistas são consonantes no que se diz respeito a pornografia: todos são contra ou, pelo menos, fazem críticas muito severas a ela por enxergarem na mesma a essência de todo o mal. E entre as críticas estão sempre as mesmas argumentações: vitimização das mulheres (exploração, degradação, abusos, etc), vício trazido pelo acesso livre a pornografia e a falta de um sexo que inclua o prazer feminino. Porém, como irei explanar melhor adiante, é preciso entender que a pornografia não é causa, é consequência.
 
Se a gente for parar para analisar os principais problemas envolvendo a pornografia, vai ficar evidente que eles vêm de duas fontes principais: 1- do machismo estrutural e 2 - da falta de educação sexual nas escolas. E estes, sim, são os dois principais problemas que afligem a sexualidade humana como um todo. O problema, ao contrário do que muitos pensam, não está na pornografia em si, porque ela não existe isoladamente em um mundo isento de problemas. A pornografia é, na verdade, um reflexo do mundo que vivemos. Se queremos melhorar a sexualidade humana, temos que parar de centrar fogo na pornografia e procurar melhorar esse mundo horroroso em que vivemos.

O terror dos moralistas.

Na época que eu participava do extinto Yahoo Respostas, tive um colega chamado Alexandre que me deu uma resposta bem interessante para um velho questionamento. Eu perguntei quem é que ensinava os meninos a transar, uma vez que o que os meninos aprendem vem ou da pornografia mainstream, ou daqueles papos bem machistas que rolavam entre os amigos inexperientes (que eu chamo de a 'gangue'), ou então da prostituição. Mas em nenhuma dessas "escolas da sexualidade" incluía-se o prazer feminino, os sentimentos, as preliminares, as carícias e o envolvimento fora da cama. Então quando os meninos arrumavam uma namorada ou se casavam, ao irem para a cama com elas, repetiam o que haviam aprendido nos filmes, nos prostíbulos ou com a 'gangue', tornando suas parceiras insatisfeitas por as tratarem como uma espécie de boneca inflável. Pois bem, a resposta do meu amigo Alexandre para essa pergunta foi que o amor é que ensinava os meninos a transarem. Isso porque era o amor que fazia com que eles se doassem, se importassem com suas parceiras e, assim, tornassem o sexo uma atividade feliz e prazerosa para o casal e não só para o homem. Eu concordo parcialmente com essa resposta. Isso porque de nada adianta o amor sozinho se você não tem o conhecimento para colocá-lo em prática. É por isso, entre outras coisas, que a educação sexual é importante. Os meninos precisam saber dialogar, precisam saber ouvir suas parceiras, precisam aprender o que as excita, precisam aprender a respeitar os seus limites, precisam saber quando elas estão excitadas, saber sobre regiões erógenas do corpo, sobre massagens, sobre a sinestesia do prazer e até um pouco de psicologia para conduzir a coisa de maneira menos egoísta. O amor abre a sua mente, mas é a educação sexual que vai te dar o conhecimento.

Educação sexual ajuda a evitar abusos.


Na minha humilde opinião, nós não temos que combater a pornografia, porque além disso ser inútil, não atinge a raiz do problema. O que a gente tem que fazer é combater o sexismo e incluir conhecimento, educação e aprendizado sexual na cabeça dos nossos jovens. E educação sexual não é só sobre como evitar gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis: é sobre tornar pessoas mais felizes, é sobre evitar abusos, é sobre tornar o mundo menos desigual e, quem diria, sobre como devemos nos amar.

Ninguém vai virar um estuprador por causa disso.

Quanto ao jovem que se sente culpado por ver pornografia, a dica que dou é que vá assistir o seu filme em paz e mande para a PQP esse povo moralista e cego que acha que o problema do mundo está no filme pornô. Os grupos antipornografia são hipócritas, infantis e simplistas. Degradação da mulher e exploração estão em todos os lugares da sociedade e não apenas na pornografia e na prostituição. De nada adianta abolir a pornografia e a prostituição se o mundo continua machista, misógino, burro sexualmente e cheio de falso moralismo. Nenhum desses moralistas criticam mulheres grávidas trabalhando em condições insalubres, atletas do sexo feminino que são submetidas a torturas para atingir a alta performance, empregas domésticas em regime de semiescravidão, casamentos abusivos onde as mulheres são estupradas pelos próprios maridos... Aliás, NENHUM moralista é contra o casamento e contra os relacionamentos monogâmicos, sendo que eles são a causa número 1 de feminicídio no planeta Terra. Então toda essa ralé subintelectualizada que mente ao colocar na pornografia todos os problemas da nossa sexualidade está apenas ocultando e trabalhando a favor dos reais problemas. A única coisa que eu exijo de quem assiste pornografia é o conhecimento de que aquilo é uma caricatura da sexualidade humana. É mais ou menos como um filme de super herói, porque é cheio de exageros e mentiras voltados para uma performance voyeur e falocêntrica. Mas é só. Pornografia (praticada consensualmente entre adultos) é uma forma de escapismo e entretenimento sexual: e não um crime. E se houver crimes nos bastidores da indústria pornográfica, que estes crimes sejam combatidos e não a pornografia.

Único risco real da pornografia.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Cyberbug 2077 continua a mesma desgraceira de sempre


Todo mundo já teve um – ou vários – momentos de loucura na vida. E eu não sou exceção. Afirmo isso porque hoje fui inventar de baixar novamente o polêmico Cyberpunk 2077 após um ano para ver se dessa vez ele está jogável. E para minha surpresa, o jogo está, sim, jogável e com algumas melhorias, tais como mais estabilidade nos fps e menos travamentos. Contudo, bugs continuam ocorrendo livremente e a gameplay continua estranha com dirigibilidade ruim, inteligência artificial burra, layout confuso, comportamento sem sentido da polícia e uma sensação de vazio em certas partes da cidade. A produtora do game, a CD Projekt Red, prometeu que o jogo irá continuar recebendo melhorias e correções. Até aí tudo bem. O problema é que o game em si não me empolga de jeito nenhum.

E assim segue Cyberpunk 2077...

Falta muita coisa neste game. Faltam mini games, barbearias, estúdios de tatuagem, lugar para tunar os veículos, sistema de metrô, braindances, possibilidade de mobiliar o apê, mais influencia do nosso background histórico e um monte de outras coisas mais. Falta mais interação com o mundo e coisas que te prendam por mais tempo dentro do game, aumentando a sensação de imersão. Fora que a campanha principal é muito curta e não dá para a gente se envolver direito com os personagens, diferentemente com o que ocorre com os gloriosos Witcher 3 e Life is Strange, por exemplo. Enfim, é um jogo chato, bugado e incompleto. Desinstalei o jogo e prometi a mim mesmo que só vou rejogar essa joça quando saírem todas as dlcs, expansões, correções e depois de instalar mais uns 20 mods para deixar o jogo mais interessante. Enfim, chega de falar de jogo ruim.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

A tal crise dos 18 anos


Antes da famigerada crise dos 30 anos há outra crise muito pior que é a crise dos 18. Isso porque 18 anos de idade é uma idade horrível onde parece que nada dá certo e você ainda não manda na sua vida. Você não sabe quem você é e nem para onde vai. Você não é mais uma criança e também não é um adulto propriamente dito, mas ao mesmo tempo ainda é um misto dos dois. É muita pressão na nossa cabeça nessa fase com relação a trabalho, faculdade, primeira habilitação, tirar documentação, alistamento militar, filiação partidária, direcionamento espiritual, relacionamentos afetivos, responsabilidades que aumentam... 

Quando eu completei 18 anos, lembro que eu estava numa deprê horrorosa devido a uma crise existencial, minha saúde estava ruim, não tinha amigos, não tinha namorada, não tinha carro, não sabia dirigir, não tinha trabalho, não tinha renda, não tinha nenhum instrumento musical, não tinha celular, não tinha videogame ou computador e ainda era um sujeito completamente tímido e introvertido. Meus refúgios eram os desenhos à mão que eu fazia com os quadrinhos da Sociedade do Rock, as estórias fantásticas que eu escrevia em meus cadernos e as músicas que eu escutava num discman velho. Enfim, eu não tinha nenhuma boa perspectiva do futuro. Até hoje eu não sei dizer direito como superei meus 18 anos. Só sei que muitos desses problemas continuaram por anos e alguns continuam até hoje (falta de um carro, por exemplo. Se bem que isso não é exatamente um problema para mim). Acho que o segredo para ter sobrevivido a tudo isso foi não ter me desesperado, ter acreditado que superaria os problemas e ter saído da minha zona de conforto. Com o passar do tempo, a gente vai ficando mais calejado, mais maduro e mais perspicaz. A gente passa a entender melhor como a vida funciona. Graças a isso, a gente consegue enxergar soluções que a impulsividade e a inexperiência não permitiam antes. E talvez seja justamente esse o grande problema de ser ter 18 anos.

A dica que eu dou hoje aos meus 38 anos para alguém que acabou de fazer 18 é de não perder as esperanças, de focar num objetivo de cada vez com metas e prazos definidos e de ter a certeza que nunca mais você terá as chances de começar bem em algo como está tendo agora. Começar a fazer algo novo depois dos 30, por exemplo, é muito mais difícil e complicado, especialmente se for algo que demande esforço físico, como um esporte, por exemplo. Depois dos 29 você já estará "velho demais" para passar em certos concursos públicos, para iniciar uma carreira em algum esporte e até para conseguir emprego em algumas áreas. Mesmo que no começo as coisas saiam erradas, é melhor começar agora e errar do que ficar procrastinando, esperando uma chance perfeita que pode nunca vir. O tempo não volta e depois dos 18, a vida passa muito rápido. Se eu pudesse voltar no tempo ou mandar uma mensagem para o meu eu de 20 anos atrás, acho que apenas mostraria como a minha vida mudou e melhorou hoje – e como eu fui burro e lento em não ter acreditado nos meus potenciais.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Determinismo cósmico


Algumas pessoas dizem que temos muita sorte de termos nascido em um universo perfeitamente alinhado em suas forças fundamentais para que a vida surgisse (teoria da Sintonia Fina). Mas eu discordo dessa visão. Não acho que a existência de um universo "perfeito" seja mero acaso. Creio que o universo não podia ser de outro jeito, porque universos sem sintonia fina entre suas constantes fundamentais se desintegrariam antes mesmo de formarem. Somos possivelmente fruto de uma espécie de "seleção natural cósmica" em um multiverso. Os únicos universos que prosperam são justamente os que têm as leis da natureza dentro do alinhamento que conhecemos. É como a soma interna dos ângulos de um triângulo em uma superfície plana. A soma dos ângulos sempre irá dar 180 graus, porque não existem triângulos que não sigam essa proporção. O mesmo se aplica ao cosmo. Não somos mero acidente. Como parte consciente do cosmo, somos exatamente a única possibilidade que poderia haver. E a vida é apenas uma consequência da maneira peculiar como os átomos de hidrogênio se alinharam ao longo de bilhões de anos.