terça-feira, 11 de outubro de 2011

Por que o universo existe?

O que teria puxado o gatilho que 'disparou' o Big Bang?


e existe um fato que me surpreende agradavelmente é que nós descobrimos mais sobre o universo no último século, do que em toda a história humana anterior. Mas apesar de todo esse progresso na astronomia, algumas perguntas ainda persistem de modo quase intacto, tais como: Qual a origem do universo? O que havia antes do Big Bang? E o que existe além do universo? Mesmo com diversas teorias bem interessantes tentando esclarecer tais questionamentos, a grande verdade é que ainda não há respostas conclusivas para essas indagações. O que sabemos está limitado às pistas deixadas pelo universo nesses seus quase 14 bilhões de anos de existência. Dois exemplos disso são a expansão do universo e a radiação cósmica de fundo, que evidenciam que o universo começou com uma violenta expansão a partir de um único ponto.
Para que a discussão a seguir seja produtiva, é preciso ter em mente que a ciência é epistemológica. Uma verdade epistemológica é aquela que percebemos e conhecemos através dos nossos sentidos e do empirismo, mas que não é necessariamente a verdade. Isso demonstra que a ciência pode errar, uma vez que ela é autocorretiva e sempre pode e deve ser contestada em caso de dúvidas - exatamente o contrário do que ocorre com as verdades ontológicas (absolutas) defendidas pelas religiões. E já que a ciência é epistemológica, então sempre há a possibilidade de equívoco.



 “Homens convictos são prisioneiros.” 
(Friedrich Nietzsche)




Um dos maiores problemas da experiência humana é que nós só somos capazes de compreender aquilo que está ao alcance das nossas abstrações. O ser humano precisa limitar algo para poder compreendê-lo. Um exemplo disso é o infinito. Não podemos compreender o que é o infinito. Para entender melhor esse raciocínio, tome como exemplo os números cardinais. Na nossa mente limitada não pode caber números infinitos, isso porque eles não fazem sentido para nós. Um googolplex, por exemplo, é um número tão grande, que não conseguimos nem mesmo imaginá-lo. Isso nos obriga a trabalhar com notação científica e ordens de grandeza simplificadas quando nos referimos a dimensões muito grandes ou muito pequenas. Por esse motivo, a nossa percepção nem sempre é real.
O astrofísico Stephen Hawking, em seu livro “The grand design”, utiliza o exemplo do peixe dourado no aquário redondo para demonstrar essa miserável limitação humana. Devido ao formato do aquário - do qual o peixe jamais pode sair, exceto pela morte - o peixe enxerga tudo de uma perspectiva diferente da nossa. Raios de luz retilíneos lhe apareceriam tortos e as formas que ele enxergaria seriam verdadeiras bizarrices para nós. Se os peixinhos desse aquário fossem físicos, eles enxergariam padrões nas imagens distorcidas e criariam leis que explicassem a realidade como eles percebem de dentro do aquário. É por essa mesma razão que não podemos estudar o que pode existir além do universo sem que a realidade sofra algum tipo de distorção.

A radiação cósmica de fundo é uma das evidências de como tudo começou

O que havia antes do Big Bang?
O simples fato do universo existir pode ser considerado uma aberração incognoscível. Isso porque é aparentemente inconcebível que o universo tenha surgido do nada - sem mais, nem menos. Para que o universo tenha tido a chance de surgir, seria necessário que algo o antecedesse. E, muito provavelmente, esse algo que originou o universo seria infinito para não sofrer o mesmo paradoxo. Talvez, não exista uma razão para o universo existir e que ele realmente tenha vindo do nada, mas essa afirmação não é coerente, justamente porque ela não pode ser testada. A teoria menos esdrúxula para explicar a origem do universo é Teoria-M. Essa teoria diz que tudo, matéria e campo, é formado por membranas, e que o universo flui através de 11 dimensões. Tal teoria também aponta que o universo em que vivemos pode ter sido criado por uma colisão entre dois universos cíclicos, também conhecido por p-branas. Porém, a grande verdade é que ainda é impossível deduzir o que realmente existia antes do Big Bang. Precisaríamos saber antes como se formam as singularidades, para, com esse dado, podermos descobrir seus mecanismos de funcionamento e descrever leis físicas que se apliquem a eles.
Duas branas com bolhas de gravidade vazando de uma para outra

Há uma intenção por trás do cosmo?
Vixnu explicaria um universo oscilante
Uma divagação muito intrigante é se perguntar por que o universo só começou a existir nos últimos 13,7 bilhões de anos - e não há 15,7 bilhões ou há mais tempo? Se o tempo for independente da matéria, então por que será que o universo surgiu repentinamente há exatos 13,7 bilhões de anos? E o que ocorreu antes disso em seu infinito passado? Uma das respostas mais elementares para essas questões é que o nosso universo pertenceria a ciclos infinitos que jamais tiveram um começo. Assim sendo, o universo sempre estará se destruindo e renascendo em novos universos para sempre, mais ou menos como profetiza o hinduísmo nos ciclos intermináveis do deus Vixnu. Essa hipótese faz ainda mais sentido quando pensamos em que graça teria se descobríssemos todas as respostas para todas as perguntas. Se tivéssemos o conhecimento absoluto, a nossa existência talvez não tivesse mais sentido, uma vez que é a busca pelo conhecimento e pela sobrevivência que nos move e traz sentido às nossas vidas. E se um dia algum ser vivo alcançar esse tal conhecimento absoluto, tenho bons motivos para pensar que ele se destruiria e faria tudo começar do zero outra vez para ter o prazer de redescobrir as respostas. A partir dessa ótica, é admissível dizer que tenha existido uma consciência por trás da origem do universo, mas ela logo se transmudaria em tudo o que existe e na consciência dos seres vivos. Sendo assim, a filosofia panteísta seria bastante plausível. A harmonia que vemos nas leis físicas e nas constantes universais seriam, então, um indício de que houve um deus que se destruiu intencionalmente para nascer um novo universo. Ou então que o universo seria o próprio deus.

 
"Quando achamos a matemática e a física teórica muito difíceis, voltamo-nos para o misticismo."
(Stephen Hawking)





O universo é fruto do acaso?
Segundo a mecânica clássica, tudo que existe pode ser deduzido a partir de uma equação matemática. O determinismo defendido por essa teoria diz que é possível predizer eventos futuros quando se tem o conhecimento de todas as suas constantes. Foi daí que o físico Pierre S. Laplace tirou a ideia do Demônio de Laplace, que seria uma divagação a respeito do conhecimento de todos os fenômenos. Segundo essa ideia, se tivéssemos todas as informações que fossem necessárias para calcular em evento, seríamos capazes, por exemplo, de saber qual face um dado cairia para cima ou até mesmo quais números sairiam na loteria.
O problema é que a elegância do determinismo é rebatida pela mecânica quântica, que diz que tudo é caótico e impossível de se prever - assim como é exemplificado na Teoria do Caos, no Movimento Browniano ou mesmo através do experimento do Gato de Schrödinger. A mecânica quântica diz que é impossível saber a posição e a velocidade de uma partícula simultaneamente - ideia essa que deu suporte ao Princípio da Incerteza de Heisenberg e que nos obriga a trabalhar com probabilidades. 
Independentemente de qual dessas duas teorias esteja correta, como é humanamente impossível conhecer todas as condições que permeiam o universo, então somos obrigados a conviver e trabalhar com o princípio da incerteza. E se o universo é caótico, então não há razões plausíveis para pensar que sua origem tenha sido elegante e predeterminada. Apesar do universo muitas vezes se parecer com um ambiente simulado, devido às suas leis fundamentais e seus limites físicos, não há qualquer indício de que estejamos vivendo numa simulação de uma espécie de The Sims do futuro.

O Atrator de Lorenz demonstra o quão difícil é prever os eventos


O futuro já aconteceu?
Existem hipóteses bastante excêntricas que defendem que a origem do Big Bang está no futuro - e não no passado - como seria mais lógico pensar. Imagine que algo que ocorreu num futuro distante tenha 'vazado' para o passado e tenha modificado um resultado que era para ser de um jeito, mas acabou acontecendo de outro. Isso talvez explique, por exemplo, a expansão do universo e o porquê de alguns raios cósmicos parecerem ter energias impossivelmente altas. Essas questões não podem ser respondidas olhando-se apenas para o passado do universo. Embora essa história possa soar absurda, ela recebeu uma comprovação prática. Não se pode, por exemplo, prever com precisão o resultado de experimentos com uma partícula quântica: execute exatamente o mesmo experimento em duas partículas idênticas e você vai obter dois resultados diferentes. Isso ocorre supostamente porque as partículas são idênticas para nós no presente, mas a diferença entre elas só poderá ser detectada no futuro. É possível também que estejamos vivendo no 'eco' do futuro, assim sendo, estamos vivendo em algo que já aconteceu, mas não temos consciência disso porque não podemos ver o universo de fora do tempo.
Enfim, como disse o filósofo Sócrates, certa vez, a respeito da verdade epistemológica: "Só sei que nada sei".

Para saber mais:
O que existia antes do Big Bang?
O que antecedeu o Big Bang
O universo existe?
O futuro pode estar influenciando o presente?

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