sábado, 21 de dezembro de 2013

Crítica à direita


No post passado, eu fiz uma crítica a alguns grupos de esquerda com os quais tenho algumas divergências. Neste post, por sua vez, a crítica vai ser direcionada aos grupos de direita. Primeiramente, vou fazer uma crítica geral à direita e, em seguida, vou criticar especificamente três tipos de direita, que são a direita libertária, a direita conservadora e a extrema direita.

Ideal da direita: abusos na mais-valia

Crítica geral à direita
Os membros da direita que se autorrotulam de "liberais econômicos", possuem, na essência, um senso de individualidade maior do que o senso de empatia. Eles estão mais preocupados com o indivíduo, do que com o grupo como um todo. Por conta disso, a direita quase sempre defende o Estado mínimo, a meritocracia, o livre mercado, a redução da carga tributária, as privatizações, a grande mídia corporativa, o acúmulo de capital sem limites, as megacorporações, a má distribuição de renda e a exploração indiscriminada da mão de obra assalariada.
Existem basicamente dois grandes grupos que defendem esse tipo de discurso, que são aqueles se beneficiam diretamente com os seus resultados – ou então aqueles não possuem maiores preocupações com os outros seres humanos mais necessitados. No fim das contas, quem sai ganhando com as ideologias de direita são os oligarcas do poder econômico, os especuladores financeiros, os grandes proprietários, os grileiros, os magnatas, os grandes empresários e a elite burguesa. O povo sempre sai perdendo nesse tipo de sistema. Vou explicar isso melhor a seguir.

Não vai me dizer que você acredita nisso, acredita?

As falácias da direita
Vou refutar alguns argumentos defendidos pela direita como sendo "bons" e que só mostram a desonestidade intelectual desse grupo.

Estado mínimo: Defender o "Estado mínimo" é querer que o Estado dê liberdade para que as classes dominantes explorem de forma livre e impune a classe proletariada. Se o Estado não regular direitos como férias, décimo terceiro, salário mínimo e jornada de trabalho, a burguesia vai manipular a mais-valia como bem entender e o trabalhador assalariado vai sofrer com a terrível escravidão do salário. A desculpa da direita aqui é a da "burocracia excessiva": só que sem essa burocracia, o trabalhador estará totalmente desprotegido da coerção e da exploração capitalista.

Meritocracia: Sim, a meritocracia existe. O problema é que os liberais distorceram o seu conceito para usá-la em seu benefício próprio. É absolutamente grotesco falar de meritocracia num país repleto de desigualdades sociais e onde há muita sensação de injustiça econômica. Um pobre favelado nunca vai ter as mesmas chances de um membro da elite econômica. Quem nasce pobre não tem condições de competir de igual para igual com quem nasce rico. Ainda que haja exceções, os liberais gostam de fazer dessa exceção uma regra, transformando a meritocracia em 'meritocovardia'.

Livre mercado: O livre mercado dos liberais é a busca desenfreada e sem regras para se obter lucro, tendo, assim, o direito de passar por cima de todas condutas éticas para enriquecer. Daí nascem os holdings, trustes, dumpins, cartéis, monopólios e oligopólios. O mercado precisa ter, sim, uma certa autonomia, mas o Estado deve se intrometer para evitar abusos e também para proteger o próprio sistema capitalista de colapsar sobre si mesmo, como ocorreu na Grande Depressão de 1929.

Redução da carga tributária: É outra ilusão típica dos neoliberais acreditar que o sistema vai melhorar com a redução dos impostos. Não, não vai. Os impostos servem para atender aos bens e serviços coletivos administrados pelo Estado, que podem ser estradas, pavimentação, coleta de lixo, distribuição de energia elétrica, cartórios, ensino público, segurança, saúde, etc. Além disso, há a questão importante da distribuição de renda. Vivemos num país desigual onde muita gente passa fome, mora em condições subumanas e não tem como sustentar os filhos. Negar a distribuição de renda é condenar à barbárie e à selvageria essas pessoas mais pobres. Enquanto não houver uma redução considerável das desigualdades entre ricos e pobres, a distribuição de renda pelo Estado será absolutamente necessária.

Privatizações: Algumas privatizações são boas, porque nós tiramos uma empresa mal administrada das mãos de um Estado corrupto para entregá-la a um setor privado. Sim, o nosso Estado é corrupto e isso interfere na qualidade de seus serviços. Nesse aspecto eu concordo com algumas privatizações. O setor das telecomunicações foi um exemplo bom de privatização, porque houve melhorias e barateamentos nos bens e serviços. Mas não se pode privatizar tudo. Privatizar setores fundamentais da nossa economia pode ser algo catastrófico, como é o caso de alguns bancos, dos Correios ou da própria Petrobras. Se, após privatizados, eles estiverem à beira da falência por má administração ou qualquer outra crise, o país teria que reestatizá-los para evitar um colapso econômico. Isso tudo sem contar, claro, com a privatização dos recursos naturais, que é uma verdadeira aberração. Se uma floresta for privatizada, quem garante que – no caso de uma grande valorização da celulose no mercado – não vamos ter um desmatamento em massa?

Acúmulo de capital: Ninguém é proibido de juntar o seu dinheirinho e guardá-lo numa caderneta de poupança. O acúmulo de capital é útil e necessário para garantir a nossa segurança e o nosso futuro. O problema é que os liberais querem acumular capital através de especulação econômica e mobiliária. Só que a especulação não é trabalho e não gera riquezas para o país: ela apenas aumenta, "do nada", o dinheiro dos especuladores. E dinheiro não se faz do nada, pois esse acúmulo de capital está vindo do suor do trabalho de outras pessoas. E deveria, sim, haver um limite para se acumular capital. É absolutamente insano que uma única família tenha um patrimônio que seja comparável ao PIB anual de algum país de economia pequena. Se você duvida disso, por favor, assista a esse vídeo.

Religião: Defender a religião é quase um imperativo para aqueles que querem controlar algum sistema. Não foi à toa que Marx disse certa vez que "a religião é o ópio do povo". Isso porque a religião é um produto do sistema usado frequentemente como instrumento de manipulação social das massas. A religião mantém as pessoas alienadas ao sistema para que elas não se revoltem e aceitem a sua pobreza como uma condição divina. Qualquer cristão já cansou de ouvir versículos como o citado em Mateus 19:24, que diz "que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus". Porém, esse conformismo com a condição social não é privilégio do cristianismo, pois ele também é visto no islamismo e, principalmente, no hinduísmo (para justificar a sociedade de castas). A promessa de uma vida após a morte faz com que as pessoas renunciem qualquer felicidade 'material' nesta vida.

Os liberais precisam urgentemente ler Marx

Críticas a grupos específicos:
Feitas as críticas gerais e também a desconstrução de certas falácias usadas pela direita, eu vou falar especificamente sobre três grandes subgrupos dentro da direita, que são:

Direita Libertária: Dentre todos os grupos ligados à direita política, a direita libertária – conhecida também por ser "liberal e libertária" – é, de longe, a que possui menos pontos de discordância com minhas ideias. Apesar de defenderem todo o discurso liberal citado no tópico das falácias acima, eles possuem uma qualidade: são a favor das liberdades individuais. Essa direita compreende a necessidade de sermos livres para beber o que quisermos, fumar o que quisermos, casar com quem quisermos (desde que todos sejam adultos) e de falar o que quisermos. Além disso, há alguns que são a favor também da igualdade racial, da igualdade de gêneros, da igualdade entre homens e mulheres, do respeito à diversidade de crenças (e de descrenças) religiosas e do respeito às diferenças. Esse pessoal entendeu que não precisa ser conservador para ser liberal. Como eu sou libertário social, neste aspecto, estou de acordo com eles.

Direita Conservadora: São os famosos reacionários que defendem a família tradicional, a propriedade privada, a religião como meio de controle das massas e o domínio da elite econômica. Derivados do integralismo, são tradicionalistas, ultraconservadores, retrógrados, moralistas, machistas, homofóbicos e sentem saudades da ditadura militar. A esta facção pertencem nomes como Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho, Marco Feliciano, Padre Paulo Ricardo e Rachel Sheherazade. Eu não tenho o mínimo apreço por pessoas que gostariam de dar um novo golpe militar no Brasil. O único ponto em comum que tenho com esse pessoal é o da propriedade privada, pois acho impraticável viver num planeta onde tudo seja coletivizado.

Extrema Direita: Esse pessoal representa tudo que há de mais desprezível na direita, porque repete as ideias sociopatas de sujeitos como Auguste Comte e Adam Smith. Conseguem ser piores que a direita conservadora, porque têm simpatia pelo nazifascismo, são nacionalistas extremados, xenófobos, racistas e fundamentalistas religiosos. Na minha opinião, esses aqui são caso de polícia.

Alguém duvida que a direita seja capaz disso? (vide o massacre de Eldorado)

Tópico bônus: o anarcomiguxismo
Entre os movimentos de direita existe também o anarcocapitalismo, que se sustenta na ideia de que o Estado deve ser dissolvido e que o capitalismo deve se autorregular através do livre mercado e do princípio da não-agressão. O anarco-capitalismo me parece uma mera fantasia de pessoas que cansaram da corrupção do Estado. Acho ingênuo e infantil que alguém consiga achar que esse sistema se sustente na prática, mas enfim, o direito de sonhar com utopias é livre.

Reação típica da direita ao ler este post

Para concluir, se você duvida que exista gente que seja de extrema direita ou que tenta usar mentiras absurdas para defender o conservadorismo retrógrado, por favor visite o link abaixo:
60 pérolas de páginas de direita no Facebook

6 comentários:

  1. Parei de ler quando você começou falando de mais-valia. Faça um favor a si próprio e vá estudar um pouco mais de economia, mais-valia não passa de um mito que já foi refutado a décadas por vários autores. Só os esquerdistas que veneram Marx acreditam nesse conto da carochinha.

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    1. A mais-valia é a base do lucro do sistema capitalista. Sem ela, o capitalismo não é capaz de se sustentar.

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    2. Mais-valia refutada? Estudar economia?KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

      Vá estudar você, miguxo VAGABUNDO! Assim como os babacas marginalistas que proclamaram a refutação das teorias de Marx, tu nunca leste sequer UMA linha de algum livro dele. Você, assim como seus ídolos, carece de suporte lógico para falar sobre economia de um panorama socialmente contextualizado.


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    3. O cara falar que mais valia não existe..rsrs...aff...e ainda manda o outro estudar?? rs..Me explica por viés econômico como o capitalismo se sustenta? Como se obtêm lucro em uma empresa? O trabalhador ganha o que ele produz?? Como se coloca um preço no seu produto final? Explica pelo viés liberal econômico? Parece que os Marxistas estão lendo muito mais sobre smith, locke, escola austríaca, do que vocês próprios....rsrsrs

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  2. Anarcocapitalismo é uma depurtação da ANARQUIA, anarquismo sempre foi anticapitalista, Mad max é o resultado do anarcocapitalismo.

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    1. Sinceramente, eu acho o anarcocapitalismo uma doideira só. É uma utopia tão sem lastro na realidade que se contradiz na própria essência do termo.

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