sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Bozo é um desastre, mas o capitalismo é pior

Sim, o governo Bolsonaro é um desastre, mas o sistema que permitiu sua eleição é ainda pior. Na verdade, quem venceu a eleição presidencial de 2018 nem foi o Bolsonaro, mas sim as fake news. Estamos sendo governados, na prática, por um néscio fascistoide que sonha em ser ditador e que não tem e nem nunca teve condições nem para ser síndico. E isso só ocorreu porque houve toda uma grande logística por trás da eleição dele financiada tanto pela burguesia nacional quanto pela internacional. Portanto, o problema não é nem o Bolsonaro em si, mas sim o sistema econômico que permite que uma criatura bestial como ele tenha se tornado chefe do executivo: sistema esse chamado de capitalismo financeiro.

Quem acompanha este blog há mais tempo sabe que já abordei várias vezes as razões pelas quais o capitalismo só deu certo para uma minoria, isso porque o capitalismo tem como objetivo maximizar o lucro a qualquer custo. Diferentemente do socialismo, que tem como objetivo cuidar primeiro das pessoas, o capitalismo não respeita o meio ambiente, tem foco no consumismo, usa a coerção para impor a propriedade privada e precisa da escassez para que possa continuar existindo. É por isso que precisamos de um novo sistema, de uma economia baseada em recursos, de governos que não sejam chantageados pelo lobby do capital e que nem precise de crescimento infinito para se sustentar. Os únicos sistemas que conheço até o momento que atendem a esses requisitos são o ecossocialismo e o Projeto Vênus. 

Portanto, se você não concorda com o governo Bozo, ainda que não saiba, muito provavelmente você não concorda também com o capitalismo, porque é justamente este o sistema culpado por toda essa tragédia ecológica, social, sanitária e econômica que estamos vivendo no Brasil. Jair Bolsonaro é apenas o sintoma de algo muito pior.

Um comentário:

  1. Nós vivemos em tempos extraordinários. Nunca é demais enfatizar isso. Em 200 anos, a expectativa de vida em países desenvolvidos mais do que dobrou e a renda per capita aumentou 60–80 vezes. A mortalidade infantil passou de 35% para perto de 0%. E isso tudo graças principalmente, ao meu ver, a dois fatores:

    1. A ciência, que é o melhor meio disponível para se obter conhecimento mais próximo da realidade que nós temos em mãos. Como dizia Francis Bacon, conhecimento é poder, e o conhecimento adquirido através da ciência tem permitido a nós termos mais e mais poder sobre a natureza. Do ponto de vista econômico, a ciência é o principal fator responsável pelo desenvolvimento tecnológico, e o desenvolvimento tecnológico é o principal fator responsável pelo aumento de renda per capita.

    2. O arranjo econômico baseado em trocas feitas através do sistema de preços, ou o capitalismo, se prefere assim chamar. Eu vejo três principais vantagens desse sistema em relação ao sistema econômico ausente de preços, cuja produção e distribuição de bens e serviços é feita de forma centralizada:

    2.1. Ceteris paribus, ele recompensa o esforço. Quer dizer que, tudo o mais constante (e essa observação é bem importante, para que não venham dizer que o cortador de cana se esforça muito e ganha pouco), aquele que mais se esforça obterá maiores recompensas.

    2.2. Ele incentiva a geração de valor. Para você ganhar dinheiro no mercado, de modo geral, você precisa criar valor para alguém. É nessa geração constante de valor de uns para os outros que a prosperidade geral aumenta.

    2.3. Ele permite alocar os recursos de forma racional, isto é, alocar os bens onde eles são mais requisitados. O sistema de preços funciona como um transmissor de informações que informa onde cada fator de produção deve ser alocado e para quem cada bem ou serviço deve ir.

    A prosperidade permite a maior divisão de trabalho, que permite que mais cientistas existam, e que esses sejam cada vez mais especializados.

    Dessa especialização entre os cientistas e engenheiros — gerada pela divisão do trabalho, por sua vez gerada pela maior prosperidade — que vem todas as inovações tecnológicas que nós vemos ao nosso redor. Daí que vem os prospectos de criarmos inteligências artificiais, manipularmos nosso genoma para melhorarmos nossa espécie ou criarmos um super vírus que extinga toda a espécie humana.

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