sábado, 22 de janeiro de 2022

Será que eles já estão entre nós?


Ao contrário do que muita gente pensa, ser cético não é duvidar de tudo. Ser cético é usar evidências para fundamentar suas crenças. Um cético não acredita em alegações extraordinárias sem que sejam apresentadas provas extraordinárias. Um cético é alguém que lida de forma saudável com a dúvida sem duvidar de nenhuma hipótese ou sem endossar hipóteses carentes de evidências. Dito isso, eu reafirmo a minha posição cética diante da hipótese de vida fora da Terra: eu, simplesmente, não sei se ela existe. Ponto. Esta é também a postura da grande maioria dos cientistas, dos governos e da própria Nasa. Inclusive, a Nasa já admitiu através do seu diretor chefe, o ex-congressista democrata Bill Nelson, que os OVNIs avistados pela Força Aérea Americana podem ser de tecnologia extraterrestre. Porém, dizer que PODE ser algo NÃO quer dizer que SEJA esse algo.

Seriam fadas, anjos, espíritos, ETs ou fenômenos naturais?
 

Os tais OVNIs podem ser de origem extraterrestre, mas também podem ser de origem ultraterrestre (de outra dimensão), de origem intraterrestre (de civilizações avançadas do interior do nosso próprio planeta), de uma civilização humana do futuro que mandou seus drones para a nossa época, ou de origem humana atual mesmo, já que China e Rússia costumam esconder de forma bastante eficaz suas tecnologias mais avançadas. Sem falar de outras hipóteses absurdas, tais como de espíritos, fadas e outras criaturas fantásticas.

Crop Circles: como explicá-los?

Sabemos que o nosso universo é gigantesco, mas não sabemos quase nada sobre ele. Não sabemos como a vida surge, não conhecemos todos os caminhos de como a vida evolui até chegar na inteligência, não sabemos qual é a probabilidade da vida surgir, não conhecemos as condições exatas para um planeta abrigar a vida e nem conhecemos todas as possibilidades tecnológicas que uma civilização avançada pode ter descoberto. O que nos resta é ter humildade e admitir que ainda não sabemos do que todos esses fenômenos (OVNIs, crop circles, etc) se tratam.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

O conceito de virgindade é uma bobagem patriarcal


Há muitas e muitas gerações que os adolescentes vivem encucados com a ideia de virgindade. No caso dos meninos, a regra é que ela é um fardo que eles precisam se livrar o quanto antes para virarem "homens". No caso das meninas, já é o contrário, pois ela é tratada como uma espécie de "virtude". E essas formas opostas de se enxergar a virgindade para cada gênero só mostra que o conceito social de primeira relação sexual é uma criação totalmente sexista que tem origem no patriarcado.

O sistema patriarcal impôs o conceito de virgindade.


Muito antes dos métodos contraceptivos se tornarem amplamente acessíveis, o homem chefe da família tradicional precisava ter certeza que o filho era realmente seu. Isso por uma questão de dominância machista e para passar a sua propriedade (herança) para seus filhos legítimos. O melhor jeito encontrado para este fim foi de arranjar uma esposa que fosse "virgem", pois isso daria segurança ao marido de que se nascessem filhos, eles seriam biologicamente seus. Foi daí que a sexualidade feminina passou a ser controlada e a virgindade da mulher até o casamento virou uma exigência a ponto de ter existido um artigo na lei brasileira que dizia o marido podia pedir anulação do casamento se a mulher não fosse mais virgem. O sagrado matrimônio, com toda sua simbologia patriarcal – incluindo aí o vestido de cor branca da noiva para representar sua "pureza" – acabou virando um ritual divino com a bênção de outra instituição patriarcal chamada igreja. Porém, como tudo que é forçado, evidentemente que isso gerou uma série de problemas já na noite de núpcias, tais como cistites de lua de mel, acusações de infidelidade por conta de hímen complacente e até mesmo noivos que anularam o casamento ao descobrirem que casaram com um transexual. E o mais tragicômico disso é que essa virgindade pré-nupcial não garantia que a mulher era realmente virgem. Mas, falando nisso, o que é realmente ser virgem?

Perder a virgindade não é igual para homens e mulheres.

O conceito patriarcal de virgindade, por ser heteronormativo e falocêntrico, difere entre homens e mulheres. Para os homens é simplesmente não ter colocado o pinto dentro de alguém. Já para a mulher é ter o hímen intacto. Só que todo mundo sabe que isso é uma grande bobagem. Isso porque muitas mulheres tinham o hímen complacente; muitas faziam todos os tipos de sexo, menos o vaginal; algumas mulheres rompiam o próprio hímen se masturbando e existem técnicas cirúrgicas de reconstrução do hímen. No caso dos homens, não existe como saber se o cara realmente é virgem, já que a relação sexual não deixa nenhuma marca física. Aliás, falando de virgindade masculina, eu escrevi duas postagens bem descontraídas sobre como descobrir se o homem é virgem. Quem quiser dar uma olhada, os links estão no final do post.

Leilão de virgindade é o fim da picada.

Pois bem, o ponto que eu quero chegar é que não há como saber, de fato, se alguém é virgem dentro do conceito tradicional do patriarcado. A perda da virgindade é, na minha opinião, uma experiência mais mental e emocional do que física. Isso porque sexo não precisa deixar marcas ou "provas". A primeira experiência sexual é muito superestimada e ela normalmente é bem horrível para a maioria das pessoas. Uma pessoa que, por exemplo, tenha sofrido abuso sexual ou estupro em sua primeira vez carrega uma memória terrível da sua primeira experiência. Então, a primeira vez para uma pessoa dessa poderia ser a primeira relação sexual em que ela realmente consentiu e sentiu prazer. Sem contar dos casos de meninos homossexuais que são levados quase a força para transar com prostituas e de meninas que sofrem traumas físicos por falta de conhecimento do próprio corpo. Esses são apenas alguns exemplos de como essa coisa de virgindade é um conceito totalmente retrógrado e desnecessário. Enquanto isso, pessoas que fazem sexo verbal, sexo virtual, sexo lésbico, sexo tântrico, masturbação mútua ou que transam com sex dolls são consideradas tecnicamente "virgens". Aliás, se a gente parar para pensar, até um beijo na boca – no melhor estilo beijo francês – às vezes é mais intenso que uma relação sexual. E nesses casos, como fica? É por isso que eu tenho uma teoria de que a maioria das pessoas mente sobre como foi a sua primeira relação sexual, porque geralmente a coisa é esquecível, constrangedora e traumática.

Honestamente, por mim, esse conceito de virgindade nem devia existir mais, porque além de inútil, ele só traz sofrimento para a maioria das pessoas.

Seria cômico se não fosse trágico.

Postagens relacionadas:
Como descobrir se ele é virgem (parte 1)
Como descobrir se ele é virgem (parte 2)

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Precisamos de soluções reais para problemas reais


Tenho evitado escrever sobre política de uns dias para cá para preservar a minha saúde mental. Mas sempre tem uma coisinha ou outra que eu acho que vale a pena comentar. Uma delas é a ilusão de muitos bolsominions com a possibilidade de vitória do inominável nas eleições de outubro. Não creio que Jair Bolsonaro tenha chances reais de se reeleger, porque o cara vive em uma realidade paralela e continua governando como se vivêssemos nessa realidade feérica neoconservadora. O brasileiro não está com medo de comunismo, kit gay e de outros inimigos imaginários criados pela extrema-direita. Brasileiro está com medo do desemprego, da inflação, da violência, do baixo poder de compra e desses preços absurdos que não param de subir. Eu acho que é exatamente este o motivo que inviabiliza a vitória do inominável nas eleições de outubro. Ele lascou o país economicamente, não tem solução para nada e só sabe usar questões morais e fake news para ganhar voto. É por isso que um sujeito desse perde para todo mundo no segundo turno. Acho que nem se ele levasse mais dez facadas durante a eleição seria capaz de se reeleger.

A gente precisa olhar para quem tem propostas para resolver os reais problemas do Brasil. Esqueça o moralismo vazio e o negacionismo oportunista. Precisamos de soluções reais para problemas reais. Ou será que você continua com medo dos "comunistas que comem criancinha"? Por favor, né? Vamos acordar para a realidade.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

A falta que a educação sexual faz


Já tem mais de dez anos que eu debato sobre sexualidade, objetificação, pornografia e prostituição na internet. E, invariavelmente, quando se fala dos problemas da sexualidade humana, fala-se, majoritariamente, do grande bode expiatório que foi criado para se desviar o foco dos verdadeiros problemas: a pornografia. Igrejas, feminismo abolicionista, NoFap, ativismo e até alguns grupos progressistas são consonantes no que se diz respeito a pornografia: todos são contra ou, pelo menos, fazem críticas muito severas a ela por enxergarem na mesma a essência de todo o mal. E entre as críticas estão sempre as mesmas argumentações: vitimização das mulheres (exploração, degradação, abusos, etc), vício trazido pelo acesso livre a pornografia e a falta de um sexo que inclua o prazer feminino. Porém, como irei explanar melhor adiante, é preciso entender que a pornografia não é causa, é consequência.
 
Se a gente for parar para analisar os principais problemas envolvendo a pornografia, vai ficar evidente que eles vêm de duas fontes principais: 1- do machismo estrutural e 2 - da falta de educação sexual nas escolas. E estes, sim, são os dois principais problemas que afligem a sexualidade humana como um todo. O problema, ao contrário do que muitos pensam, não está na pornografia em si, porque ela não existe isoladamente em um mundo isento de problemas. A pornografia é, na verdade, um reflexo do mundo que vivemos. Se queremos melhorar a sexualidade humana, temos que parar de centrar fogo na pornografia e procurar melhorar esse mundo horroroso em que vivemos.

O terror dos moralistas.

Na época que eu participava do extinto Yahoo Respostas, tive um colega chamado Alexandre que me deu uma resposta bem interessante para um velho questionamento. Eu perguntei quem é que ensinava os meninos a transar, uma vez que o que os meninos aprendem vem ou da pornografia mainstream, ou daqueles papos bem machistas que rolavam entre os amigos inexperientes (que eu chamo de a 'gangue'), ou então da prostituição. Mas em nenhuma dessas "escolas da sexualidade" incluía-se o prazer feminino, os sentimentos, as preliminares, as carícias e o envolvimento fora da cama. Então quando os meninos arrumavam uma namorada ou se casavam, ao irem para a cama com elas, repetiam o que haviam aprendido nos filmes, nos prostíbulos ou com a 'gangue', tornando suas parceiras insatisfeitas por as tratarem como uma espécie de boneca inflável. Pois bem, a resposta do meu amigo Alexandre para essa pergunta foi que o amor é que ensinava os meninos a transarem. Isso porque era o amor que fazia com que eles se doassem, se importassem com suas parceiras e, assim, tornassem o sexo uma atividade feliz e prazerosa para o casal e não só para o homem. Eu concordo parcialmente com essa resposta. Isso porque de nada adianta o amor sozinho se você não tem o conhecimento para colocá-lo em prática. É por isso, entre outras coisas, que a educação sexual é importante. Os meninos precisam saber dialogar, precisam saber ouvir suas parceiras, precisam aprender o que as excita, precisam aprender a respeitar os seus limites, precisam saber quando elas estão excitadas, saber sobre regiões erógenas do corpo, sobre massagens, sobre a sinestesia do prazer e até um pouco de psicologia para conduzir a coisa de maneira menos egoísta. O amor abre a sua mente, mas é a educação sexual que vai te dar o conhecimento.

Educação sexual ajuda a evitar abusos.


Na minha humilde opinião, nós não temos que combater a pornografia, porque além disso ser inútil, não atinge a raiz do problema. O que a gente tem que fazer é combater o sexismo e incluir conhecimento, educação e aprendizado sexual na cabeça dos nossos jovens. E educação sexual não é só sobre como evitar gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis: é sobre tornar pessoas mais felizes, é sobre evitar abusos, é sobre tornar o mundo menos desigual e, quem diria, sobre como devemos nos amar.

Ninguém vai virar um estuprador por causa disso.

Quanto ao jovem que se sente culpado por ver pornografia, a dica que dou é que vá assistir o seu filme em paz e mande para a PQP esse povo moralista e cego que acha que o problema do mundo está no filme pornô. Os grupos antipornografia são hipócritas, infantis e simplistas. Degradação da mulher e exploração estão em todos os lugares da sociedade e não apenas na pornografia e na prostituição. De nada adianta abolir a pornografia e a prostituição se o mundo continua machista, misógino, burro sexualmente e cheio de falso moralismo. Nenhum desses moralistas criticam mulheres grávidas trabalhando em condições insalubres, atletas do sexo feminino que são submetidas a torturas para atingir a alta performance, empregas domésticas em regime de semiescravidão, casamentos abusivos onde as mulheres são estupradas pelos próprios maridos... Aliás, NENHUM moralista é contra o casamento e contra os relacionamentos monogâmicos, sendo que eles são a causa número 1 de feminicídio no planeta Terra. Então toda essa ralé subintelectualizada que mente ao colocar na pornografia todos os problemas da nossa sexualidade está apenas ocultando e trabalhando a favor dos reais problemas. A única coisa que eu exijo de quem assiste pornografia é o conhecimento de que aquilo é uma caricatura da sexualidade humana. É mais ou menos como um filme de super herói, porque é cheio de exageros e mentiras voltados para uma performance voyeur e falocêntrica. Mas é só. Pornografia (praticada consensualmente entre adultos) é uma forma de escapismo e entretenimento sexual: e não um crime. E se houver crimes nos bastidores da indústria pornográfica, que estes crimes sejam combatidos e não a pornografia.

Único risco real da pornografia.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Cyberbug 2077 continua a mesma desgraceira de sempre


Todo mundo já teve um – ou vários – momentos de loucura na vida. E eu não sou exceção. Afirmo isso porque hoje fui inventar de baixar novamente o polêmico Cyberpunk 2077 após um ano para ver se dessa vez ele está jogável. E para minha surpresa, o jogo está, sim, jogável e com algumas melhorias, tais como mais estabilidade nos fps e menos travamentos. Contudo, bugs continuam ocorrendo livremente e a gameplay continua estranha com dirigibilidade ruim, inteligência artificial burra, layout confuso, comportamento sem sentido da polícia e uma sensação de vazio em certas partes da cidade. A produtora do game, a CD Projekt Red, prometeu que o jogo irá continuar recebendo melhorias e correções. Até aí tudo bem. O problema é que o game em si não me empolga de jeito nenhum.

E assim segue Cyberpunk 2077...

Falta muita coisa neste game. Faltam mini games, barbearias, estúdios de tatuagem, lugar para tunar os veículos, sistema de metrô, braindances, possibilidade de mobiliar o apê, mais influencia do nosso background histórico e um monte de outras coisas mais. Falta mais interação com o mundo e coisas que te prendam por mais tempo dentro do game, aumentando a sensação de imersão. Fora que a campanha principal é muito curta e não dá para a gente se envolver direito com os personagens, diferentemente com o que ocorre com os gloriosos Witcher 3 e Life is Strange, por exemplo. Enfim, é um jogo chato, bugado e incompleto. Desinstalei o jogo e prometi a mim mesmo que só vou rejogar essa joça quando saírem todas as dlcs, expansões, correções e depois de instalar mais uns 20 mods para deixar o jogo mais interessante. Enfim, chega de falar de jogo ruim.