terça-feira, 13 de maio de 2014

E se a sua filha fosse prostituta?


Toda vez que eu me pronuncio a favor da regulamentação da prostituição, vem alguém e faz aquela pergunta clássica: "E se a sua filha fosse prostituta?"... Sabe qual é a minha resposta? Eu seria a favor da regulamentação da prostituição do mesmo jeito – e explico o porquê.

Ser prostituta é degradante?
Infelizmente, mesmo no século XXI, as pessoas ainda enxergam a sexualidade como sendo um tabu. Foi a nossa "linda e maravilhosa" moral cristã que nos fez ver o sexo como sendo algo de lixo para baixo. Por isso que as profissionais do sexo – que lidam com essa coisa "feia e pecaminosa" chamada sexo fora do casamento – sofrem tanto preconceito e são tratadas como escória ou dignas de pena. A palavra 'puta' é um palavrão justamente por isso: porque as mulheres sexualmente 'promíscuas' são "impuras" por fazem algo muito feio: sexo lúdico sem entraves morais. O moralismo, o machismo e o preconceito dão as mãos e fazem a gente ter a impressão que ser garota ou garoto de programa é o fundo do poço do ponto de vista moral. O que precisamos para pôr fim a isso, entre outras coisas, é de uma regulamentação para que as prostitutas sejam tratadas como seres humanos e tenham condições dignas de trabalho.
Como eu já disse em outras postagens, a prostituição é um trabalho como outro qualquer. Trabalhar oferecendo sexo não tem nada de degradante se a pessoa se protege e tem segurança para exercer o seu trabalho com liberdade e dignidade. Um trabalho legal que lida com algo natural (o sexo) não deveria ser tratado como moralmente errado. O que torna a prostituição algo tão perigoso é que a ausência de uma regulamentação coloca constantemente as mulheres como alvo de exploração por parte de cafetões e clientes mal intencionados. A frequente ligação da prostituição com o tráfico de drogas, por exemplo, vem justamente da ausência de controle estatal para essas duas atividades. Regular a profissão afasta as prostitutas do submundo e as protege de proxenetas. Reitero: a regulamentação é a solução – e não a proibição.

Feminazis contra a prostituição

E se a minha filha fosse prostituta?
A nossa sociedade é extremamente hipócrita. Isso, inclusive, não é novidade para ninguém que tenha se dado ao trabalho de olhar um pouco melhor o mundo que nos cerca. Todo homem quer "uma puta na cama e uma dama na sociedade", mas, estranhamente, não gostam quando alguma mulher que eles gostam são chamadas de putas.
Eu não sou um falso moralista e não teria problema algum se a minha filha (ou meu filho) trabalhasse com sexo. Jamais a repreenderia ou a abandonaria por isso. Não tenho filhos, mas tenho convicção de que filho é algo que não criamos para nós, mas sim para o mundo: temos que respeitar as decisões deles porque não somos senhores de suas vidas. Os pais devem apoiar os seus filhos em suas decisões para que eles possam ser felizes trabalhando no que gostam. Tirando atividades ilegais, como o tráfico de drogas ou o contrabando, eu estaria do lado de meus filhos incondicionalmente.
O problema da prostituição é que ela não é bem vista socialmente – assim como ser homossexual também não é algo bem visto. Ninguém sente orgulho de ter uma filha prostituta ou um filho gay, mas eu também não me sentiria desonrado por isso. Geralmente, esses dois casos são associados à degeneração familiar, à decadência moral ou à criminalidade – associações essas que estão longe de ser uma regra, afinal, há prostitutas de luxo e homossexuais moralistas. A minha única preocupação seria com o preconceito e com os riscos que meus filhos correriam num mundo onde gays e prostitutas são perseguidos e até mesmo mortos apenas por serem o que são.

Transar por dinheiro não é crime: é uma escolha

Sobre a regulamentação da prostituição
Li recentemente no site Blogueiras Feministas um artigo interessante sobre a prostituição em que destaquei dois parágrafos, citados abaixo:

"É preciso parar de confundir a venda do corpo com a venda do sexo, assim como é preciso desfazer a associação automática da prostituição à exploração sexual e ao tráfico humano. Essa confusão reforça a ideia de que a prostituição ocorre invariavelmente à revelia das mulheres, o que não é uma verdade." 

 "A situação das prostitutas no Brasil é de completa desproteção e descaso. A ausência de regulamentação da atividade mantém as mulheres expostas a situações de risco. Violência, abusos e violação de direitos são características inerentes à clandestinidade. Assim como a criminalização das drogas beneficia as grandes máfias, a ausência de controle do Estado sobre a prostituição favorece o tráfico de pessoas e a exploração sexual. A regulamentação enfraquece quem lucra com a ilegalidade." 

Esses trechos acima traduzem literalmente tudo o que eu penso sobre o tema. Ao invés de proibir a prostituição, como alguns fanáticos sugerem, devemos regulamentá-la. Ao contrário do que os moralistas pensam, a prostituta está prestando um serviço sexual, ela não está "vendendo" o próprio corpo. Todos nós usamos os nossos corpos para executar os nossos trabalhos. Parem de confundir uma coisa com a outra. Além disso, criminalizar a prostituição não resolveria a carência sexual de muitos homens, não acabaria com os cafetões e ainda geraria um terceiro problema: o tráfico humano e o descaso, que aumentariam ainda mais.

Transformar as prostitutas em criminosas não é a solução

Homens carentes? Mas sexo hoje em dia não é tão "fácil"?
Quem disse que sexo hoje em dia é fácil? Claro que se compararmos com um século atrás, hoje as pessoas têm mais liberdade para transar com quem querem – só que isso está muito longe de ser algo "fácil". Num mundo onde a maioria das mulheres ainda são reprimidas sexualmente desde a infância e onde o moralismo ainda é predominante, não podemos esperar maiores liberdades do ponto de vista sexual. Eu sei que você está pensando em me refutar ao se lembrar das "piriguetes", dos bailes funks e do sexo virtual – acontece que esses casos são exceções. A maioria das pessoas ainda leva uma vida muito 'certinha' com relação ao sexo. E mesmo o tal "sexo sem compromisso" exige muitos cuidados e limitações. As tais piriguetes têm um nível de exigência relativamente alto, porque se o rapaz não satisfazer as suas expectativas, certamente estará fora do mercado sexual – uma vez que não é preciso de um aplicativo como o Lulu para que você fique famoso por ser ruim de cama. Com as prostitutas, fica-se livre dessas exigências e o cara pode transar como quiser e pelo tempo que ele puder pagar. Fora que para os homens mais tímidos e sem atrativos físicos e emocionais, a prostituição acaba virando a única saída.

Eu sei que dói dizer isso, mas a gente não vive no País das Maravilhas, porque isso aqui não é uma utopia romântica onde todo mundo transa por amor ou pensando no prazer do outro. Tem muita gente que só quer gozar e ir embora sem burocracia, sem mais delongas, sem ter que dar prazer ao outro e sem ter que atender a expectativa de desempenho do outro. Sexo é uma necessidade fisiológica e muita gente não o tem ou tem de péssima qualidade. A vida sexual da maioria das pessoas é uma porcaria e não adianta esconder isso debaixo de toneladas de moralismo ou de fanatismo religioso, porque o sexo é uma energia que não tem como ser oprimida por nenhum controle social.

As prostitutas vendem o sexo a quem precisa dele

"Ah, mas o sexo no casamento é muito melhor". Sério mesmo, santa?
Só os idiotas e ingênuos acham que o sexo num prostíbulo é igual ao sexo no casamento. Pense bem: para que você acha que um homem vai PAGAR para fazer aquilo que ele pode ter "de graça" em casa? E essa história de intimidade e diálogo para melhorar a vida sexual de um casal romântico é uma bobagem pueril dita pela boca de terapeutas sexuais de segunda categoria e por livros de autoajuda escritos por demagogos do século passado. Não se pode comparar o sexo no casamento com aquele oferecido por alguém que investiu todo o seu conhecimento, aprendizado e dedicação no sexo. Sei que incomoda dizer isso, mas sexo com uma prostituta é invariavelmente superior em qualidade ao que se pode obter com o seu par romântico. É como comparar um time de futebol amador com um time profissional: as diferenças entre quem transa por hobby e quem transa profissionalmente são muito evidentes. Por isso que tantos homens, casados ou não, procuram o sexo pago. Inclusive, essa é justamente uma das razões pela qual a igreja sempre condenou o sexo antes do casamento juntamente com a prostituição: porque quem experimenta, acha o sexo no casamento muito ruim em comparação com o sexo nos bordeis. E nada melhor para controlar uma pessoa do que começar controlando a sua sexualidade: os machistas fazem isso com as mulheres e a religião faz isso com os seus fiéis. O mundo ideal seria onde o sexo não fosse tabu e onde todos pudessem investir seu conhecimento e dedicação nele para se tornarem amantes completos. Mas, infelizmente, não é esse o mundo em que vivemos.
E, por favor, parem com essa mania ridícula de dizer que homem que sai com prostitutas é fracassado. Fracassado é quem tem que aturar um casamento falido, com sexo ruim (ou sem sexo), só por causa dos filhos. Essas pessoas que dizem que o sexo pago é ruim geralmente estão cegas pelo amor romântico, pela paixão ou nunca pagaram uma prostitua decente (decente no sentido de ser indecente, entende?).

Elas entendem do negócio melhor do que você imagina

O que não te contaram sobre a nossa sexualidade
Essa história de casar afeto com safadeza foi uma das medidas mais desastradas da história. Durante mais de 100 mil anos de histórica humana, os nossos ancestrais faziam sexo livremente sem a obrigação de fidelidade a um único parceiro. Essa história de "família nuclear" (papai, mamãe e filhinhos) foi uma invenção do patriarcado. Durante boa parte da pré-história, as crianças eram criadas pela comunidade (e não só pelos pais) porque, entre outras razões, não se sabia que o sexo servia para gerar filhos. O sexo era feito apenas por prazer. Se prender a utopias românticas-monogâmicas é ir contra a nossa própria natureza, contra o nosso próprio instinto. É por isso que os consultórios de terapia sexual vivem lotados de casais: porque mentimos para nós mesmos o tempo todo ao negar a nossa verdadeira natureza. Agora, em comparação com os casados, vê quantos homens procuram uma terapia sexual para resolver seus problemas com prostitutas...
Não estou dizendo aqui que devemos ser todos promíscuos ou que o casamento é uma instituição falida, mas devemos entender que o sexo, muitas vezes, independe de laços afetivos para ocorrer de forma plena. Por terem maior liberdade sexual, os homens conseguem tirar melhor proveito disso e fazem da prostituição e da pornografia dois dos maiores mercados exatamente por eles serem a válvula de escape da nossa hipocrisia e do nosso recalque moral. O que não te contaram nessa história toda é que você sempre foi um(a) escravo(a) de um sistema que controla a sua sexualidade sem você perceber. Liberte-se e mande todo mundo se foder (literalmente, rarará)!

 Namastê!

13 comentários:

  1. Eu geralmente não costumo ler nada sobre esse tipo de assunto na internet, pois ele é muitas vezes abordado de forma rasa, emocional e mal substanciada. Mas tenho que parabenizar o autor deste texto pela clareza, lucidez e mentalidade ampla, que pelo visto, opera muito além das correntes que o senso comum atou em nós.

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    1. Obrigado por suas considerações, caro anônimo. Um dos grandes problemas é que a lavagem cerebral pela qual a maioria de nós passa ao longo da vida nos obriga a mentirmos para nós mesmos. Enquanto não quebrarmos esse ciclo vicioso, seremos eternamente escravos de um sistema que torna as pessoas cada vez mais infelizes.
      Grande abraço.

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  2. Tipo, eu adorei o post. Alias seu blog é muito bom. (primeira vez aqui).
    Com relação ao texto, eu gostei muito, e sim acho que s prostitutas, ou putas, (pq nao?) são bem melhores no sexo que alguém que não se dedica a isso, e como se vc pedisse a um advogado que fizesse uma cirurgia cardíaca, ou ao médico que defendesse alguém em um tribunal. Só quem é especialista sabe completamente como se faz.

    Mas eu pessoalente tenho um problema com isso, e não sei se outrs homens tb... Não consigo ficar completamente excitado se não tiver um mínimo envolvimento com a pessoal (não necessariamente sentimental), não consigo conhecer a pessoa X, ou ir ao puteiro e comer a prostituta se ao menos não trocar uma ideia antes, meu pau simplesmente não sobe u não mantem ereção...

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    1. Obrigado por suas considerações.
      Acho que cada pessoa tem o seu jeito de se excitar e não há muito o que fazer com relação a isso. No seu caso, nada te impede de trocar umas ideias antes de entrar no clima com uma garota de programa.
      Abraço.

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  3. Puteiros existem mesmo pra atender nossas necessidades , é oque sempre digo !
    Minha mulher sabe do meu vicio de sair com prostitutas e sempre me questiona se nao to satisfeito com ela , eu digo que sim mas o sexo que minha mulher me oferece é fraco e sinto muita necessidade de sexo tenho mais necessidade de sexo do que necessidade de ir no banheiro mijar !
    E tento explicar sempre pra minha mulher isso , que sexo eé necessidade fisiologica é normal , e puteiros prostitutas existem em todo canto pra isso ! E o sexo das prostitutas sao bem melhor do que o sexo das esposas santas que temos em casa !

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  4. E se minha filha fosse prostituta eu acharia normal ! Pois vejo as prostitutas como mulheres normais que estao prestando um serviço de extrema necessidade a comunidade .
    Deveria ser sim legalizado !!
    E deveria assim como hospital e alguns orgaos pulbico existem deveria existir puteiro publico , onde trabalham prostitutas pagas pelo o gorverno para atender gratuitamente os homens que necessitar .

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    1. cara vc tem q se tratar..serio vei

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  6. amigo geralmente não suporto esquerdistas,mas VC É EXCEÇÃO,parabens pela clareza e pelo texto altamente sensato e inteligente...é daqueles tipos de texto q dá uma sacudida em vc,e vc fala "ei,não é q ele tem razão,é isso mesmo"

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  7. GOSTARIA TER UMA FILHA PROSTITUTA SO PRA IR CONTRA TDO PRECONEITOO DA SOCIEDADE

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