segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O maniqueísmo político não nos salvará


As redes sociais no Brasil têm, infelizmente, evidenciado a ignorância política da maioria da nossa classe média. O que vemos hoje não são pessoas politizadas debatendo de maneira civilizada. O que vemos é uma autêntica briga de torcida. Cada um escolhe um lado para torcer e brigam como marginais nos comentários de uma postagem.
São raríssimas as pessoas que constroem a sua visão política com base no estudo, na reflexão e na autocrítica. A maioria não tem a mínima noção do que defende. As posições de esquerda ou de direita, por exemplo, não podem ser decididas por impulso. Na verdade, não se escolhe ser de esquerda ou de direita, porque esses posicionamentos políticos são construídos ao longo da vida de acordo com tudo que vivenciamos e estudamos.

O que tenho visto de um modo geral é uma falsa dicotomia de opiniões quase dogmáticas entre as pessoas que as formam a partir de memes de internet. As pessoas têm decidido ser de direita porque, por exemplo, odeiam o PT e acham que a carga tributária brasileira é muito alta. Nisso acabam se apegando a um neoliberalismo predatório sem se dar conta, achando que são apenas "libertários". E muitos têm decidido ser de esquerda porque são contra a homofobia e odeiam o Bolsonaro. Porém, ser de esquerda é algo muito mais profundo que apenas repudiar a homofobia. São essas pessoas que acham que são de esquerda que formam essa ala "pós-moderna". E o pós-modernismo (normalmente atrelado aos SJW) é altamente prejudicial às classes sociais mais pobres. Infelizmente, esses pseudo esquerdistas elitizam o debate político e tomam como foco apenas os próprios interesses ou os interesses dos grupos aos quais pertencem.
Enfim, esse pensamento dogmático, fanático e de torcida reflete uma ignorância política que precisa ser corrigida. As pessoas precisam aprender a se ouvir e parar de se atacar. Do contrário, não vamos sair do lugar.

Quanto mais escuro o amarelo, mais ignorante é povo do país

Dicotomias escondem o sistema ideal
O que precisamos entender é que quando falamos de política, nunca há apenas dois extremos para se oporem entre si. Existe todo um degradê de pensamentos políticos entre a extrema-esquerda e a extrema-direita. No caso dos modos de produção, não há apenas o capitalismo liberal e o socialismo autoritário. Inclusive, o ideal seria justamente o ponto de equilíbrio, onde nós pegamos o que há de melhor no capitalismo com o que há de melhor no socialismo e unificamos em um mesmo sistema. A social democracia é um exemplo clássico disso, porque ela traz as garantias constitucionais sobre saúde, educação, segurança e moradia juntamente com a liberdade de empreender do capitalismo. Tirando os EUA, que se sustentam graças a políticas predatórias e imperialistas, a maioria dos países que deram certo tiveram o seu ápice social e econômico em sistemas de bem-estar social ou mistos.


Como consertar o país
Há várias mudanças em comum que são do interesse tanto da esquerda quanto da direita. Há pautas em comum entre todos os grupos oprimidos e todos eles podem se unir justamente em torno dessas causas em comum. Há também uma maioria de pessoas que paga muitos impostos e essas pessoas poderiam se unir para exigir uma reforma tributária que fosse realmente justa. Reduzir a carga tributária da classe média e dos pobres e aumentar a dos mais ricos seria bom para 99% da população. Pessoas muito ricas pagam proporcionalmente menos impostos. Lucros, dividendos, juros, herança: tudo isso é subtributado. Por que não pensamos nisso ao invés de brigar?
Temos também o problema da sonegação fiscal, que é muito pouco debatido e que gera um rombo de bilhões nas contas do governo. Por que então não focamos juntos no combate a essa forma de corrupção que é prejudicial para todos nós?
Precisamos de união, e não de cisão. Quem ganha com essa polarização são as elites que estão rindo à toa com a nossa estupidez e as nossas briguinhas.


Derrubar a plutocracia para criar a democracia real
Outra coisa que falta a muitos internautas é o conhecimento de como funciona a nossa política de coalizão. Poucos sabem que a corrupção está institucionalizada ao permitir alianças na base da distribuição de cargos e de mensalões privados para aprovar projetos. Ninguém consegue governar sem ter maioria no Congresso e a única possibilidade de se governar é fazendo essas alianças forçadas com muitos corruptos que estão no legislativo. Portanto, as decisões acabam sendo sempre a favor de quem possui muito dinheiro para comprar os políticos, o que comprova o fato de que vivemos numa plutocracia. A solução para isso é a reforma política e uma nova assembleia nacional constituinte. Derrubar um sistema plutocrata e que privilegia homens, brancos, megaempresários, ricos e corruptos deveria ser motivo para nos unir, e não para nos separar.

O que precisamos é de união. Essa briguinha de torcida entre direita e esquerda não vai nos levar a nada enquanto houver dogmatismo e intolerância. Ninguém escuta ninguém e os problemas em comum não são resolvidos.
A seguir, um vídeo esclarecedor do canal Justificando sobre esse assunto:

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