terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Que tal uma guerrinha para animar o capitalismo?


Por ser um sistema que visa o lucro permanentemente e o crescimento exponencial, o capitalismo precisa sempre de novos mercados e de novos consumidores. Ou você vende seus produtos e serviços, ou você quebra: essa é a lógica do capitalismo que visa cada vez mais o consumismo e a ganância. Porém, quando surgem crises, a recessão causa uma redução do consumo, colocando o sistema em xeque. E daí que o capitalismo precisa encontrar um meio de fazer com que as pessoas voltem a comprar para manter o crescimento econômico. Políticas keynesianas costumam ser a tábua de salvação do capitalismo nesses momentos de crise, mas nem todo mundo concorda com essas políticas. Muitos querem o lucro imediato, para ontem. E qual o melhor meio de fazer isso? Simples: criar necessidades obrigatórias de consumo. Políticas econômicas que acentuam a desigualdade social e, consequentemente, a violência urbana – como o neoliberalismo – são ótimas para alavancar o mercado de segurança privada, de armas e de produtos supérfluos que deem status. Mas isso não é suficiente para salvar o capitalismo. É preciso mais. É preciso enriquecer não apenas a indústria bélica, mas também a indústria de construção civil, a indústria de medicamentos, a indústria de limpeza, as petrolíferas e também gerar empregos. E nada melhor que uma GUERRA para atingir esse fim.

A Europa não quer mais saber de guerras em seu território. Só a França já foi reconstruída três vezes. Causar uma nova guerra mundial na Europa não é mais uma opção. Os europeus aprenderam que guerras, apesar de avançarem a tecnologia, trazem consequência devastadoras, tais como países inteiros destruídos e endividados, fome generalizada, doenças, milhões de mortos, de mutilados, de doentes, de famílias destruídas... A guerra não traz lucro para quem a faz. A guerra só gera lucro para quem a financia. Como a Europa não quer mais guerras, a África está miserável e sem recursos de tanto ter sido saqueada e o Oriente médio já foi desmantelado, só resta um continente para se promover uma guerra. Sim, ele mesmo: a América. Mais especificamente falando: a América Latina.

Ora, os países latino-americanos não têm armas nucleares e nem armamento tático de ponta. Nada é mais rentável para um país muito rico em crise do que financiar uma guerra entre nós. Para isso, basta colocar um país contra o outro. Demonizar governos específicos, acusando-os escrotamente de serem "bolivarianistas", "terroristas" ou "maus" já é um bom começo. Para completar, basta instigar oficialmente uma guerra com provas forjadas e falsas invasões de fronteira. Canalha que é, a grande mídia corporativa – prostituta do capital estrangeiro – não hesitaria em atiçar os ânimos ainda mais. Basta inventar que a Bolívia ou a Venezuela, por exemplo, estariam "invadindo o Brasil" para implantar o "bolivarianismo" e pronto: temos uma justificativa suficiente para praticar mais um genocídio. Ou então são forjados atentados no Brasil, ou praticados crimes contra a nossa soberania para se colocar a culpa nos países vizinhos. Enfim, há dezenas de maneiras de se instigar uma guerra entre dois países. No caso do Brasil é ainda mais fácil, porque basta comprar os políticos que eles declaram guerra contra qualquer um. Afinal, quem vai morrer na guerra sou eu e você, e não os canalhas engravatados de Brasília.

É escandalosamente óbvio que nenhum país da América do Sul ousaria invadir o Brasil. Somos a maior potência da América do Sul, somos um dos países mais ricos do mundo, temos o maior território do sul do continente e somos muito respeitados (até demais, eu diria) por nossos vizinhos. Mas quando a indústria bélica internacional quiser mais lucro, ela vai ter mais lucro. Eu não duvido que eles instiguem mais uma guerra desnecessária na América Latina. Uma nova Guerra da Tríplice Aliança é tudo que a indústria bélica sonha. Matar os nossos irmãos, os nossos vizinhos, para aumentar os lucros de indústrias estrangeiras é um troço tão óbvio e fácil de fazer que eu acho que será inevitável dentro de, no máximo, duas décadas.
Já que Donald Trump estragou os planos belicistas do Partido Democrata para a Síria e para o resto da Ásia, é possível que, de uma próxima vez, os Democratas tentem uma guerra por aqui. Sim, uma guerra é inaceitável. Mas quem disse que o capitalismo se importa com isso? A lei do lucro está acima de todas as outras leis.

Como eu gostaria de estar errado e que isso fosse mera teoria da conspiração...

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