quinta-feira, 9 de junho de 2016

A maior ilusão da classe média


Na cabeça de um membro típico da classe média brasileira, o Brasil está dividido em quatro classes. Os pobres, que, segundo muitos deles, são um bando de preguiçosos parasitas que sobrevivem de assistencialismo; a classe média, que são as pessoas "normais"; os ricos, que são os empreendedores de sucesso; e, por fim, os políticos, que são os "parasitas" que controlam o sistema, especialmente os do poder executivo. Pois é, o bom de ser classe média no Brasil é que você pode ser simplista, reducionista e alienado sem sofrer maiores consequências. O ritual de informação dessa gente é simples: no café da manhã leem Folha, Globo ou Estadão enquanto assistem a Globonews. Pela tarde, leem Época e Veja. E no final do dia entram na web para ler os posts de Rodrigo Constantino, Merval Pereira e Reinaldo Azevedo. Ora, como poderiam pensar que a culpa de todos os males não é do governo "esquerdista" e dos pobres que se vivem de "Bolsa Esmola"? Esse é o maior problema da classe média brasileira. Ela acha que é bem informada, esperta, rica e que não tem preconceito algum. Doce ilusão.

Mas a maior ilusão de todas da classe média é pensar que ela pensa por si só. É achar que o "povo" (vulgo classe média manobrada) indo para as ruas influencia em votações de impeachment. É achar que teremos a qualidade do serviço público da Dinamarca pagando impostos da Guiné Equatorial. É achar que o problema da corrupção está apenas no Estado. É achar que o empreendedorismo é a única via para a felicidade e a independência financeira. A classe média adora se iludir.


A classe média não é capaz de enxergar que esse culto ao sucesso através do empreendedorismo nada mais é que uma fuga do fato de que muitos de seus membros são assalariados, portanto, são proletários: assim como todos os outros que ganham um salário mínimo e andam de transporte coletivo. A classe média quer ser burguesa e se distanciar da "ralé". Sendo empreendedores, eles serão pequenos burgueses por estarem no "baixo clero" do patronato, estando, assim, longe do risco de "proletarização" de sua classe. Outra doce ilusão é achar que os muito ricos são ricos simplesmente por serem competentes e inteligentes. Os mega especuladores, rentistas, acionistas e bilionários por herança ou sorte não são empreendedores de sucesso. Eles apenas estão deixando o dinheiro deles em lugares onde o montante renda cada vez mais sem que eles precisem trabalhar. E por conta desse poderio financeiro, são exatamente eles que decidem o futuro do país, controlando os jornais e revistas que você lê, decidindo o que você deve pensar ou não.
A classe média não entende nada de semiótica, de manipulação seletiva, de hierarquia de informações, de imparcialidade de fachada e de matérias tendenciosas. É por isso que a grande mídia só precisa dar o pasto para ela relinchar.
Desculpe ser tão duro, mas esses membros despolitizados da classe média são idiotas, ou melhor: midiotas. São incapazes de perceber que o Japonês da Federal, Janot e Moro não são super-heróis corajosos que estão aí para caçar corruptos. Esses "heróis" agem dessa maneira porque são marionetes daqueles que realmente controlam o sistema e decidem o futuro do país. Não vou dizer quem são essas pessoas que controlam o sistema porque quero que os coxinhas se sintam instigados a descobrir quem elas são. Eles precisam sair da Matrix que os mantém achando que o mundo é do jeito que a grande mídia desenha para eles.


Enfim, no dia que a nossa classe média deixar de ser ignorante, egoísta e violenta, aí, sim, teremos a chance de ter um país melhor.

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