quarta-feira, 15 de junho de 2016

Para que serve a misandria?


Quando o assunto é feminismo, este blog se enche de trolls mais que um cachorro de rua se enche de pulgas. Benza-te Deus! De um lado é mascuzão me xingando de mangina, de emasculado, de esquerdopata, mandando eu me castrar e coisas piores. Do outro lado são as feministas radicais me xingando de misógino, de machista, de mascu e coisas do gênero. Qualquer dia eu crio um post só com os comentários dessa gente para vocês verem ao nível que a coisa chega. Mas enfim, o fato é que escrever sobre feminismo virou um tabu, porque eu apanho de todos os lados, especialmente dos extremistas. Só que para a tristeza dessa gente que adora um CapsLock nos comentários, o assunto hoje aqui não é feminismo, mas algo que muitas feministas negam terminantemente que exista, que é a misandria.

Empoderamento ou misandria?

Misandria, quem precisa dela?
Antes de começar o textão, quero deixar claro que há uma diferença brutal entre misoginia (ódio às mulheres) e misandria (ódio aos homens) do ponto de vista prático. Na teoria, ambos são um câncer, mas na prática, a misoginia é muito pior por ser responsável por feminicídio, estupros, violência doméstica e crimes passionais: todos eles ocorrem no mundo real. Já a misandria não ocorre no mundo real, mas ocorre no mundo virtual. Não existe androcídio feito por mulheres, estupros coletivos de mulheres contra homens ou ódio social aos homens. Sim, existe violência contra os homens, mas ela NÃO é realizada majoritariamente por mulheres: são homens que mais matam e estupram outros homens. E mesmo no caso de mulheres que matam homens, nunca é por misandria, mas por ciúmes, vingança, legítima defesa ou por razões criminosas.

Olha isso

O único caso de misandria que me recordo que terminou em tragédia foi o de uma garota que assassinou o próprio namorado com inspiração obtida por um texto misândrico que leu nas redes sociais. E o pior nem foi isso, o pior foi a reação de muitas misândricas que debochavam da situação e tratavam a assassina que matou o parceiro como "deusa" (tem o print disso ali em cima). Isso não é muito diferente do que ocorre nos blogs misóginos onde homens dizem que a vítima "mereceu" ser atacada e fazem até piada com assassinato e estupro. É claro que tem quem diga que essas pessoas que praticam esses delitos são doentes mentais, mas eu não penso assim. Se você tem o incentivo e a impunidade de uma cultura (ou grupo social) para matar e estuprar, você se torna, sim, potencialmente um(a) bandido(a). E é aí onde entra aquele tópico que mais gera discussão e polêmicas, que é aquela história de que...

Mulheres vivas também não fazem nada disso, né?

...Todo homem é estuprador em potencial
Imagine que alguém te diga que todo negro é um estuprador em potencial. Você não acha que há algo de errado nessa frase? Não é nem por uma questão de ser racista apenas, mas porque há brancos que também estupram. Aí você concorda que seria mais justo dizer que todo homem – branco ou negro – seria um estuprador em potencial. Mas essa frase ainda está estranha. E não é nem por uma questão de misandria, mas por uma questão de que há mulheres que também estupram. Aí concordamos que o justo seria dizer que todos os seres humanos são estupradores em potencial, certo? Não, não concordamos não. Por quê? Porque há muita gente que acha que a frase "todo homem é um estuprador em potencial" está certa, ou pior ainda: que ela é um axioma. Essa frase, na melhor das hipóteses, está incompleta, porque o certo seria dizer que: quase todo homem é um potencial estuprador dentro de uma cultura do estupro. "Quase" porque generalizar é sempre estupidez, basta ver que homens paraplégicos, tetraplégicos, com paralisia cerebral, em coma, em estado vegetativo e transexuais dificilmente estuprariam alguém, chegando a ser realmente impossível em alguns casos.

Mulheres estupram, mas não são estupradoras em potencial?

No caso das mulheres que estupram, quase sempre as vítimas são ou outras mulheres, ou adolescentes, ou crianças. E quase sempre são usados objetos para simular a penetração. Em penitenciárias femininas, por exemplo, também há violência sexual, há comportamentos de "machos alfa" entre as detentas e outros tipos de violência. Além do caso de mulheres que "dopam" outras mulheres e abusam delas seja por uma relação de poder, por perversão moral, por impunidade ou por vingança. Enfim, o problema não é o que você tem entre as pernas, mas sim no que você tem entre as orelhas.

Será que a ficha não caiu ainda para as misândricas?

A raiz do problema 
Quando Hitler quis demonizar os judeus na Alemanha nazista, ele os tratou de maneira semelhante com a qual a misandria trata os homens. Ora, se os judeus eram a causa de um grande problema, segundo a ótica nazista, por que então Hitler hesitaria em se livrar deles? E foi o que aconteceu. Sabemos que o problema da Alemanha na década de 1930 não foram os judeus, e sim a derrota na Primeira Guerra Mundial e a crise que a Alemanha enfrentava. Os judeus foram bodes expiatórios, assim como tenho visto homens serem também hoje com esse papo de feminazi de que os homens deveriam ser todos mortos, que são todos estupradores, que são todos violentos, etc. É claro que os homens são responsáveis pela grande maioria das desgraças do mundo, como já expliquei. Mas tratar todos os homens como criminosos potenciais apenas por isso é muito estúpido e improdutivo. Na verdade, os homens se comportam de maneira violenta quase que exclusivamente em sociedades patriarcais, machistas, misóginas, com cultura de estupro e de adoração falocêntrica ao gênero masculino por seus feitos históricos. Agora vai ver como as coisas são radicalmente diferentes em sociedades matriarcais. Em sociedades matriarcais, por haver muito mais cooperação que competição, mais igualdade e, principalmente, mais respeito pelas mulheres, os homens são, de um modo geral, muito menos agressivos e a criminalidade é muito mais baixa. É um erro categórico ficar preso a determinismos biológicos, porque somos todos seres bio-psico-sociais. Não estou defendendo que sociedades matriarcais sejam as ideais, mas sim que elas são muito menos violentas que as culturas patriarcais. O modelo ideal de sociedade, ao meu ver, é a igualitária, onde nenhum gênero há de prevalecer sobre outro. Somente uma educação igualitária, respeitosa e altruísta é capaz de manter os nossos monstros interiores em seus respectivos calabouços. Aprendam isso.

Aprenderam agora?

PS: Antes que alguém nos comentários coloque no modo 'on' o defecador verbal, já vou logo avisando que comentários ofensivos e com xingamentos não serão publicados. E o primeiro a usar a expressão "falsa simetria" vai ganhar de graça um nobre incentivo a voltar para o supletivo por ser um analfabeto funcional. Abra a sua mente antes de abrir a sua boca.

Não gostou?
Então toma:
Se não gostar, devolve!

2 comentários:

  1. Diferente dos judeus, existem provas concretas de que os homens são os maiores perpetuadores de crimes em todos os países do mundo,95% segundo a ONU. Biologicamente os homens tem mais chances sim de cometerem crimes, pelo hormônio da testosterona, mas incrivelmente são as mulheres que são culpadas pelos seus hormônios. Biologicamente todos os homens são estupradores em potencial. Ou os homens vão mudar a sua postura ou cada vez mais as mulheres vão ter a tendência de se distanciarem, de tanto tomarem porrada.

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    1. Sim, mas a questão central do texto, que talvez não tenha ficado clara, é que nenhuma desculpa serve para justificar a misandria. Aliás, ódio nenhum é justificável por razão alguma. O que torna um homem um estuprador em potencial não é o fato dele ser homem, mas o conjunto de fatores que influenciam a sua vida. O ambiente, a cultura, a educação e as influências são que irão definir a potencialidade de alguém para o bem ou para o mal. Nós homens precisamos mudar, sim, mas a mudança deve ser feita pela via da racionalidade e não pelo ódio.

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