quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Pra não dizer que não falei de amor


Na manhã desta quinta-feira acordei com uma gripe braba, cheio de problemas para resolver, de contas para pagar, de trabalhos para cumprir e muito cansado. Tinha deixado um post "na agulha" para falar sobre o Lula, mas resolvi falar de algo mais leve e que me deixasse mais animado: o amor. Ou melhor: um velho amor do passado.

Eu sei que este blog não tem muito espaço para pieguices, mas o longo celibato que escolhi viver – e que intriga tantas pessoas – tem uma explicação simples. A única mulher com quem eu aceitaria a possibilidade de pensar em me casar já se casou há alguns anos e foi morar no Acre. Eu conheci essa garota há cerca de dez anos, quando ela ainda era uma estagiária. Lembro que fiquei impressionado como um ser humano pode ser tão inteligente, meigo, lindo e carismático tendo ainda por cima um par de olhos tão belos que até os deuses os invejariam. Aqueles olhos profundamente azuis e aquele sorriso inconfundível não apenas me inspiraram e escrever canções e poesias, como me tiraram de um momento de inércia e marasmo quase irreversível. Canções como Todo Azul do Mar, Quando Te Vi, Toada e Your Song fizeram parte do meu repertório ao embalar o sentimento gostoso que eu sentia por essa pessoa especial.



Durante a fase aguda da paixão, senti todos aqueles sintomas da paixonite: euforia, ansiedade, taquicardia, tremedeira, suadeira, gagueira, timidez e uma vontade incontrolável de abraçá-la com força a cada dez minutos. Esbarrei com elas diversas vezes e tivemos diálogos lacônicos e imprecisos verbalmente, mas riquíssimos na linguagem corporal. Lá no fundo, sabíamos, eu e ela, que o nosso amor era impossível e que jamais sairia da esfera platônica. Mas nossas almas pareciam não aceitar este destino. Eu via isso no olhar dela, nos gestos, nas palavras... A gente sabe quando o sentimento é recíproco.
Aí depois ficamos anos sem nos ver, até ela encontrar outro homem menos burocrático com quem pudesse dividir suas alegrias e tristezas.



Da última vez que a vi, no ano passado, não sei por que tocou aquela canção do Skank chamada Te Ver, do nada, na minha mente (e olha que eu nem gosto muito do Skank). Em suas férias pela minha cidade, ela estava linda, deslumbrante, com um longo vestido preto enquanto desfilava imponente sobre a calçada em seus saltos angelicais, suaves e graciosos. Ela passou por mim, fingiu não ter me visto e perdeu-se em meio à multidão. E eu sigo firme rumo a um sereno e longo eremitismo. Mas ela nunca mais sairá da minha memória. A marca que ficou no meu coração certamente morrerá comigo.
Honestamente, espero que ela seja uma mulher muito feliz. Porque se não for, eu vou pegar um avião para o Acre para tirar satisfação com o cidadão que casou com ela antes de mim.

É claro que eu continuo com a opinião de que relacionamentos afetivos são uma desgraça e que entre me relacionar com um homem ou com uma mulher, certamente preferiria conviver com alguém do mesmo sexo, mesmo eu sendo heterossexual. Mas para você ver como o amor nos cega e nos faz abrir exceções, eu toleraria até mesmo um casamento desde que ele fosse com aquela mulher.
Pelo menos serei um solteirão feliz por ser livre e despreocupado, ainda que um pouquinho nostálgico.

2 comentários:

  1. Amor é uma coisa chata mesmo, você fica até sem apetite. Porém não deixa de ser algo bonito, mesmo quando a história não termina da melhor forma.

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    1. Verdade. Como já dizia uma frase que li por aí: "não chore porque o amor acabou, sorria porque aconteceu". Na verdade, nenhuma história de amor acaba bem, mas isso é tema para outra postagem.
      Abraço.

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