domingo, 23 de abril de 2017

Jogos da minha vida #3: Shadow of The Colossus


O ano era 2007 e eu estava na faculdade de design. Eu estava fazendo um projeto em grupo para o desenvolvimento de um videogame portátil e, durante o intervalo entre um brainstorming e outro, eu e meus colegas resolvemos dar um tempinho para jogar conversa fora. Durante a conversa que rolou no nosso happy hour, resolvemos falar sobre os nossos jogos inesquecíveis. Foi aí que um dos meus colegas citou um tal de Shadow of The Colossus. Ele descreveu este game de um jeito que me instigou seriamente a conhecê-lo melhor. Ele havia contado que este tal "game dos colossus" inovou por ter apenas chefões e também por todo mistério envolvendo a sua história. Também foi dito que as batalhas contra os colossos gigantes eram épicas, porque exigiam estratégia e inteligência para serem vencidas. Enfim, foi nessa conversa que ouvi falar pela primeira vez deste game e, apenas pela descrição dele, já fiquei com muita vontade de jogá-lo.
Cerca de um ano depois, fui a uma das poucas locadoras de games que ainda existiam perto da minha casa e finalmente pude jogar Shadow of The Colossus.

Em Shadow of The Colossus, tamanho é documento!

Primeiras impressões
Shadow of The Colossus começa com uma cutscene onde um rapaz leva o corpo de uma mulher em cima de um cavalo rumo a uma terra onírica, desolada e silenciosa. O rapaz entra em um grande templo e deixa o corpo da jovem mulher em cima de uma espécie de altar. É aí então que uma voz misteriosa ecoa dizendo que, para devolver a alma dessa mulher, o rapaz teria que derrotar os 16 colossos. Então, prontamente, o rapaz aceita o desafio sem um único pingo de hesitação. Posteriormente, descobri que o rapaz se chamava Wander, que a  mulher chamava-se Mono, que a voz misteriosa era de uma entidade chamada Dormin e que o cavalo era uma égua chamada Agro. Enfim, depois da introdução, o jogo começa.

Wander e Mono

Shadow of The Colossus, apesar de ser um game de 2005 lançado para PlayStation 2, tem gráficos bonitos até para os padrões atuais. Os efeitos de luz são muito bons, as texturas são convincentes e a física do jogo é decente. Wander, o protagonista, é um sujeito frágil, esquisito e desajeitado: o que me fez questionar como ele poderia encarar 16 monstros gigantes. As armas dele são um arco com flechas infinitas e uma espada que, ao ser erguida contra o sol, concentra os raios de luz na direção de onde estão os colossos e também revela onde ficam os pontos fracos dos mesmos. O jogo é uma espécie de mundo aberto gigante onde enfrentamos os colossos em pontos predeterminados do mapa e na ordem específicada por Dormin. No game podemos correr, pular, esquivar, se pendurar, atacar, escalar e cavalgar na Agro. A égua Agro é bastante útil em vários momentos do game, inclusive na luta contra alguns colossos.

Enfim, da primeira vez que joguei, não cheguei nem a derrotar o primeiro colosso, porque gastei quase toda a minha hora paga passeando pelo mapa gigantesco. Daí que não sobrou tempo para descobrir como chegar no seu ponto vital. Ao achar o primeiro colosso, o que me chamou atenção foi o tamanho absurdo da criatura. Você fica naquela aflição se questionando como é possível derrubar um bicho daquele porte. A impressão que dá é que estamos numa luta de Davi contra um Golias muito maior e muito mais assustador.
Depois disso, só fui jogar novamente esta obra-prima em 2009, quando finalmente consegui terminar o jogo para ter uma opinião mais bem formada sobre o mesmo.

A grandeza do game é impressionante.

O game
Não me lembro de ter visto até hoje nenhum game parecido com o Shadow of The Colossus. Um game cercado de mistérios, onde você tem uma única fase gigantesca e onde há apenas 16 oponentes para enfrentar é algo único na história dos videogames. O game tem basicamente dois desafios. O primeiro é encontrar os colossos no mapa. E o segundo é descobrir como derrotá-los. O caminho até os colossos é silencioso, solitário e quase sempre longo. A sensação de solidão e calmaria do jogo é quebrada apenas pelas lutas homéricas contra os gigantes – e essas batalhas homéricas são um espetáculo à parte. Descobrir como chegar aos pontos vitais dos colossos é um desafio que inclui observação, estratégia e paciência. Às vezes, é preciso usar o cenário a seu favor para conseguir subir nos inimigos ou expor os seus pontos fracos. Normalmente, é necessário escalar os corpos dos gigantes agarrando-se em seus pelos para chegar nos pontos vitais e cravar a espada neles. Enquanto subimos pelos corpos dos colossos, eles reagem como se realmente tivessem vida própria, se sacudindo e tentando jogar o Wander no chão como podem. E, para aumentar ainda mais o clima de grandiosidade, todas as batalhas acontecem ao som de músicas simplesmente épicas.

Todos os colossos em escala. Agro é o cavalinho branco no canto esquerdo.

Por que este game foi inesquecível?
Este jogo é uma obra de arte pelo conceito, pelo desafio, pelas músicas, pela inovação e pela ambientação. Eu senti este game como sendo um dos mais imersivos que já joguei, porque ele transmite o sentimento de solidão e desafio de Wander de uma forma muito profunda. O jogo é simplesmente impecável em todos os aspectos. Cada colosso que enfrentamos traz uma história, um desafio diferente. Muitos dos duelos são simplesmente cinematográficos, seja pela forma como são travados quanto pelas harmonias orquestradas que tocam durante as batalhas.
As batalhas mais inesquecíveis, para mim, foram contra o primeiro colosso voador, que exige uma maior aptidão do jogador – e também o penúltimo colosso, devido à interação decisiva com o cenário. Inclusive, o primeiro colosso voador é uma espécie de divisor de águas no game, porque a partir dele, o jogador se supera, perde o medo e sente que é capaz de vencer qualquer colosso.

Avion, o meu colosso favorito!

A riqueza de detalhes, as mensagens ocultas, a imersão, a trilha sonora: tudo neste jogo é marcante. O final do jogo, então, é surpreendente. Por isso tudo não há como negar que este foi um dos maiores jogos da história – e um dos melhores que já joguei na minha vida.

Shadow of The Colossus tem uma grande mensagem implícita, que é a ideia de que não importa o tamanho das dificuldades ou dos desafios que enfrentamos na vida, pois se estivermos determinados e com coragem, seremos capazes de vencer todos os obstáculos. Wander, com suas limitações, seus defeitos e o seu jeito desengonçado conseguiu superar os poderosos colossus sem hesitar, mesmo estando em clara desvantagem contra eles. Por que nós não podemos tomar essa lição e trazê-la para as nossas vidas?

Para terminar, deixo o primeiro trailer que assisti deste jogo e que me instigou de vez a jogá-lo.

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