quarta-feira, 19 de abril de 2017

O moralismo é que sustenta a extrema-direita


Um argumento recorrente na defesa de candidatos da extrema-direita no mundo é sempre aquele argumento da moral e dos bons costumes. É sempre aquela coisa de "xingam o meu candidato de fascista porque não podem chamá-lo de corrupto". Este argumento é definitivamente horrível. Primeiro porque ser honesto é obrigação moral de todo cidadão. E segundo que votar numa pessoa APENAS por ela ser supostamente honesta é uma justificativa débil e perigosa. Não basta ser honesto para merecer o voto dos eleitores. Um candidato precisa ter propostas sólidas para resolver os problemas de um país. Como ficam as questões econômicas, sociais, o emprego, a educação, a saúde, a segurança e a política externa para o seu candidato? Isso importa ou não?

E assim Hitler chegou ao poder...

Esse argumento moralista de votar em uma pessoa só porque ela veio "de fora da política" ou porque "nunca roubou um centavo" não convence ninguém que tenha um pingo de maturidade. Não estou aqui dizendo que as pessoas não devem votar em candidatos moralistas ou da extrema-direita que se agarram ao discurso da "honestidade é tudo". O que estou pedindo é uma reflexão. Estamos numa democracia e cada um é livre para votar em quem quiser. O problema é votar num candidato só por moralismo barato sem dar a mínima para as outras coisas que ele vive falando e você ignora.

Quando for votar, pesquise bem sobre o seu candidato, o seu histórico e as suas propostas. Porque votar somente porque é (supostamente) honesto é um argumento simplesmente idiota. Você pode estar colocando um irresponsável ou, pior ainda, um psicopata no poder que poderá piorar a sua vida muito mais do que você imagina. Além disso, quem disse que ele não pode se corromper depois que chegar no poder?

Esqueça, por favor, essa história de "ele é honesto e que se dane o resto". Política não é brincadeira.

2 comentários:

  1. O país está dividido. Até mesmo família se dividiram. Agora, agüentar este moralismo tacanho é o pior de tudo.

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    1. E o pior é que como já dizia um certo dramaturgo brasileiro: não existem moralistas, apenas falsos moralistas. Esse moralismo todo é apenas uma fachada para esconder interesses obtusos.

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