domingo, 19 de fevereiro de 2012

O paraíso bíblico existe?


Acredito, honestamente, que a maioria dos cristãos nunca se indagou a respeito da coerência de haver um paraíso extrafísico após a morte. Não estou discutindo a possibilidade de haver vida após a morte, mas sim a de haver um paraíso específico: um lugar perfeito e harmonioso onde reina a paz e a justiça para os justos.

Para começo de história, assumir a existência um paraíso para os cristãos é negá-lo para os muçulmanos, judeus, hindus, espíritas, xintoístas, etc, isso porque cada uma dessas religiões tem o seu próprio paraíso. E quem vai para o paraíso de uma, consequentemente vai para o inferno das outras. Mas esse nem é o ponto central da discussão.

Eu vou abordar a seguir três itens distintos que colocam em xeque a existência de um paraíso.

1 - Superpopulação
Será que cabe tanta gente assim no céu?
Vamos supor que o paraíso bíblico realmente exista. Isso instantaneamente já nos traz um problema de ordem prática: a superpopulação. Imagine todas as pessoas que existem, que já existiram e que ainda irão existir. Como vai caber tanta gente assim no céu? E será que nesse paraíso vai ter comida para todos? Sempre me perguntei o quão grande pode ser o céu e também o inferno para suportarem tantos mortos.


2 - Dualismo e livre arbítrio
Amor e ódio podem existir sozinhos?
Essa é uma questão bastante intrigante, porque antes de tudo, o ser humano é conhecedor do bem e do mal, ou seja: nós somos dualistas. Se sentimos amor, também podemos sentir ódio. Se sentimos compaixão, também podemos sentir rancor. Se sentimos alegria, também podemos sentir tristeza. É humanamente impossível separar esses sentimentos, porque eles são complementares, logo, um precisa do outro para existir. Se o céu é um lugar realmente perfeito, não poderia haver nenhum sentimento. Mas sem sentimentos, nós não seremos humanos. Além disso, a perfeição divina é inatingível. Das duas, uma: ou não há paraíso algum, ou não pode haver livre arbítrio no céu.


3 - Infelicidade
Imagine como seria encontrar seu maior inimigo no Céu
Para entender melhor esse item, vou resumir uma história que um amigo me contou na internet.
Imagine um sujeito chamado Senhor Fulano. Esse Sr. Fulano é um cristão fervoroso e fiel, porém, ele tem duas filhas de 14 e 15 anos que não acreditam em Deus e se revoltam contra o pai e a sua educação religiosa. As filhas do Sr. Fulano caem no mundo, vivem uma vida prazeres mundanos e ignoram os preceitos religiosos. Depois de 2 anos, essas garotas estão pervertidas pelo mundo e um dia encontram um homem que as conduz para um local ermo, as estupra e as mata com várias facadas.
Supondo que esse pai vá para o Paraíso, pois mesmo depois disso, ainda continuou fiel ao bom deus judaico-cristão, ele encontra lá um outro homem que conta a sua incrível história. O tal homem havia matado e estuprado várias pessoas, entre elas as filhas desse pai; quando depois de ter sido preso, se converteu a Jesus na cadeia, pediu perdão do fundo da sua alma e foi salvo. O Sr. Fulano deve ficar muito contente, ou seja, deve ter a obrigação de amá-lo, pois aquele homem, outrora maldito e sanguinário, se tornara um perfeito homem, aprumado, amoroso e consciente, podendo assim curtir a eternidade na Paz do Senhor.
As questões que essa história levanta são:

1 - Se o assassino das meninas pode ter recuperação e se redimir a ponto de se salvar, por que elas foram apartadas dessa chance e morreram ímpias e pecadoras, quando poderiam sim ter a chance de serem perdoadas por terem feito muito menos do que o seu algoz? Pois se o assassino não tivesse as matado, talvez elas pudessem ter se arrependido um dia e ido para o paraíso.
2 - Como esse pai conseguirá viver feliz eternamente ao lado do assassino das suas filhas?
3 - Como esse pai conseguirá viver eternamente feliz no paraíso sabendo que as suas filhas foram para o inferno?

Espero que os cristãos reflitam a respeito desses questionamentos.

4 comentários:

  1. Já participei de debates com evangélicos alienados em que eles diziam que deus "apagaria" a memória dos "salvos" para que eles não se lembrassem dos entes queridos que iriam para o inferno. Eu não sei se os crentoscos dizem esse tipo de coisa por cinismo ou se eles são ingênuos mesmo...

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    1. Pois é, e haja malabarismos para tentarem explicar o inexplicável.

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  2. Questionamentos? Na boa velho nunca vi tanta burrice na minha vida. Superpopulação? Supostamente Deus criou o universo seu imbecil!!!! Quantas pessoas existem e existiram no mundo? 20 bilhões na máximo. Se Deus fez o universo, ele tem que conseguir casa para 20 bilhões né? Não vou entrar nem em detalhes teológicos que supostamente o paraíso pode ser espiritual e etc. Quanto ao dualismo, voce esta julgando a partir dessa realidade. Voce supostamente não conhece realidade do paraíso e o processo de transformação do ser humano para alcança-lo. Na igreja católica voce só entra no paraíso depois de um processo que pode ser atingido na terra ou no céu. Chama-se purgatório. Voce decidiu entrar lá, por sua própria escolha supostamente. Quanto ao 3º item me parece é burro demais para pelo menos imaginar as coisas. Deus pode não existir e ser uma bobagem. Mas se ele existe é por definição a meta final de todo ser humano. Estar na presença de Deus é supostamente tão bom, porque Deus é a suprema perfeição, que qualquer sofrimento nesta vida se torna absolutamente irrelevante. Voce lembra do episódio mas ele não tira a sua paz. Voce entende o que é Deus se ele existir? Óbvio que não. Visão muito pequena, uma imaginação muito fraca. Isso é uma deficiência muito grande de inteligência, ainda mais para alguém que é designer.

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    1. Prove que o seu deus existe e eu retiro tudo o que escrevi. Mas é óbvio que você não fazer isso, porque é impossível provar que seres imaginários existem.

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