segunda-feira, 28 de novembro de 2016

É melhor viver num mundo sem corrupção ou sem miséria?

Será que é a corrupção que causa miséria?

Certa vez, perguntei lá no Yahoo Respostas se é melhor viver num mundo sem corrupção ou sem miséria. Não podia ser sem miséria e sem corrupção: só podia escolher eliminar uma das duas. Uma boa parte das respostas dizia mais ou menos a mesma coisa: que "em um mundo sem corrupção não haveria miséria". O que prevaleceu foi esse discurso moralista, muito comum entre a direita incauta brasileira. Porém, de nada adiantaria viver num mundo sem corrupção onde não houvesse políticas públicas voltadas para combater a miséria. A miséria não desaparece magicamente só porque a corrupção foi extinta. Temos que escolher: ou damos prioridade ao mercado, ou damos prioridade às pessoas. Políticas voltadas para o mercado não resolvem o problema da miséria e da desigualdade social.
Sabe por que os EUA tem pobres e miseráveis e os países escandinavos não? Porque nos países escandinavos houve preocupação em cuidar do social, em priorizar o cuidado com as pessoas. Noruega, Suécia, Finlândia, Islândia, Dinamarca e até a Alemanha eliminaram a miséria de seus países através da social democracia, do bem-estar social. Foi através disso que percebeu-se que um capitalismo justo, com democracia de verdade e com foco nas pessoas, é melhor que o autoritarismo dos regimes conduzidos por Stalin, Mao e Castro.

Portanto, como já foi dito antes, a ausência de corrupção não garante que trará consigo o fim das desigualdades. E é por isso que eu não concordo com esse discurso moralista de combater a corrupção a custo de destruir nossas indústrias, nossas estatais e nossas empreiteiras. Países sem miséria também têm corrupção. Claro que muita corrupção agrava a situação de miséria, mas não é porque há corrupção que tem que haver miséria. Portanto, a nossa preocupação não deveria ser com a utopia de eliminar completamente a corrupção, mas sim com a possibilidade real de eliminar as injustiças do sistema. Por isso, entre outras coisas, sou de esquerda.

Um comentário:

  1. A desigualdade sempre existirá, pois é óbvio que não somos iguais, mas o direito a dignidade todos tem. E não há nada mais infame que a fome imposta ao semelhante.

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