terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Refutando os argumentos contra a esquerda


Existem críticas bem construídas contra a esquerda política, mas também há uma verdadeira avalanche de críticas e comparações sem sentido que inventam na web para distorcer o comunismo, o socialismo ou a social democracia. Pensando nisso, eu vou responder, neste post, a algumas das objeções mais comuns que tenho visto pela internet contra a esquerda.
A seguir, a sigla AD significa o "Argumento da Direita" (em azul) e o R é a minha resposta.

AD: "Uma sala de aula é um modelo capitalista, porque cada aluno tem a sua própria nota baseada na meritocracia individual. Há um experimento que prova que se as notas de uma sala de aula fossem socializadas, os alunos mais estudiosos seriam prejudicados por terem que repartir suas notas com quem não estuda nada, e assim a média de notas da turma desmoronaria."
R: Uma sala de aula é o quê? Capitalista? É sério isso, santa? Não existe nada mais SOCIALISTA que uma sala de aula onde cada um recebe a sua nota justa pelo que produz. Quem tira a nota (capital) de quem estuda mais (a classe trabalhadora, que produz) para dar para quem não estuda (os burgueses, através da mais-valia) é exatamente o capitalismo. Numa sala de aula, todos têm os mesmos professores, a mesma farda, o mesmo material, o mesmo ambiente, a mesma infraestrutura... Fora que ninguém herda a nota dos pais; há um limite máximo de nota (dez); você tirar dez não prejudica os outros; todo mundo pode tirar dez, se estudar; sua nota vem do seu esforço – e não do esforço dos outros. As notas não são como o dinheiro, porque tem muita gente ganhando bilhões no capitalismo sem trabalhar, apenas vivendo do rentismo, da herança e da exploração dos trabalhadores. O modelo capitalista estaria mais para um trabalho em grupo onde os que menos trabalham são os que mais ganham apenas explorando o trabalho dos colegas. Essa comparação da escola é simplesmente perfeita para fortalecer o socialismo, até porque o conceito de meritocracia burguesa é tão distorcido que deveria se chamar de 'meritocovardia'.

AD: "O Estado brasileiro é uma espécie de Robin Hood, porque tira dos ricos para dar para os pobres através desse assistencialismo populista que está destruindo a nossa economia."
R: Rarará! Desculpa, mas essa foi a maior piada que já ouvi. Na verdade, o Estado brasileiro é um Robin Hood ao contrário, porque tira dos pobres para dar para os ricos. Como assim? Simples: quem mais paga imposto no país são os mais pobres – e quase metade do valor dos impostos vai para pagar os juros da dívida pública, que nada mais é que o dinheiro que os mais abastados "emprestam" ao governo. Daí que o dinheiro está saindo do bolso dos pobres e indo direto para o dos ricos, não é lindo? Isso sem falar da mais-valia, que é outra forma de aumentar o lucro burguês tirando dinheiro dos trabalhadores. Aí vem um sujeito dizer que o gasto do governo com assistencialismo é maior do que a dívida interna com bancos e rentistas. Fala sério! Os programas sociais, incluindo aí o tão execrado Bolsa-Família (que recebeu o Nobel Social) estão servindo, na verdade, para aquecer a economia, porque o dinheiro circula, ao invés de ficar parado nas contas e nos cofres dos sevandijas da elite econômica.

AD: "Comunista com Smartphone? Seja coerente e dê o seu aparelho para os pobres! Essa esquerda caviar! kkkkk!"
R: A propósito, sabe quem inventou o primeiro protótipo de telefone celular? Foi Leonid Ivanovich Kupriyanovich: um engenheiro da ex-União Soviética que desenvolveu uma espécie de walkie-talkie capaz de fazer ligações sem fio a até 1,5 km de distância. Mas esse nem é o ponto central da discussão. Os Smartphones foram mesmo patenteados pelos EUA, mas a produção em massa deles veio da mão de TRABALHADORES, a maioria chineses. O que os trabalhadores produzem deve pertencer a eles também. Mas esse também nem é o ponto central. O ponto central é que ser de esquerda NÃO é fazer voto de pobreza. Quem deveria fazer voto de pobreza seriam os cristãos, cuja vertente mais ortodoxa, os cátaros, foram perseguidos pela Inquisição. Se bem que até hoje os Franciscanos fazem voto de pobreza. Mas enfim, ser de esquerda é ter empatia pelos outros seres humanos e mudar as políticas públicas para que elas reduzam as injustiças sociais.

AD: "Ahahaha! Defende o socialismo mas é sustentado por um pai capitalista que trabalha duro!"
R: Como já dizia Karl Marx: "Numa sociedade dominada pela produção capitalista, até o produtor não-capitalista é dominado por concepções capitalistas." O consumismo e essa necessidade de status que há em quase todos nós foram construídos pelo capitalismo. Em países mais sociais-democratas essa visão consumista já foi superada e as pessoas possuem uma mente mais aberta. Não é porque você vive num sistema capitalista que você acha que ele é bom e justo. Se fosse assim, todo brasileiro seria capitalista – assim como todo soviético seria comunista. E acho que não é bem assim, né? Sobre ser sustentado pelo pai, por acaso você sempre foi autossuficiente desde o seu nascimento?

AD: "O MEC é comunista porque está tentando implantar o marxismo cultural nas escolas!"
R: De todos os argumentos da direita, o mais estabanado, estapafúrdio e histérico é, de longe, esse do Marxismo Cultural. Segundo o astrólogo Olavo de Carvalho, fundador da seita que prega que o MEC é comunista, o filósofo Antonio Gramsci era o pai do marxismo cultural por teorizar que os esquerdistas poderiam implantar o socialismo paulatinamente através do sistema de ensino. Essa hipótese derivada do macarthismo, do fascismo e de uma mixórdia de visões neoconservadoras seria verdadeira apenas se TODOS os professores do país fossem comunistas militantes – o que está bem longe de ser verdade. Se um professor adere a uma ideologia e tenta ensiná-la aos seus alunos, ele é um péssimo professor que não deve lecionar nem mesmo nos países que defendem o seu ponto de vista. O que acontece no caso do Brasil é que o conhecimento, especialmente sobre história, sempre foi domínio das classes mais altas. Como hoje a educação no Brasil está mais democratizada e com menos distorções que na época do coronelismo, é natural que o conhecimento que antes era privilégio da elite passe a ser parte de todos. E como o conhecimento é a maior e mais eficiente arma que temos, a burguesia reacionária sente medo que as classes menos favorecidas o tenham e virem o jogo a seu favor. O que vemos é um medo reacionário porque os privilégios da elite burguesa estão começando a ser percebidos e contestados. Daí que os imbecis começam a difamar o MEC e os professores como se houvesse um plano de ocupação comunista-totalitarista na América Latina. Infelizmente, até mesmo os jovens e vloggers na internet têm caído nessa lábia, nesse engodo, nesse espantalho da direita conservadora que nunca cansou de mentir para manter-se no topo dos seus privilégios. A maior prova de que o marxismo cultural nas escolas é uma mentira é que no Brasil quase ninguém conhece Marx, a sua obra e os alicerces que ele queria derrubar. Mas, em contrapartida, pergunte quem é que não conhece Jesus Cristo, cuja doutrina (o cristianismo) é sempre assunto no poder legislativo para se tornar matéria obrigatória nas escolas.

AD: "Socialismo é o sistema onde todo mundo trabalha muito e ganha pouco só pra alimentar a esquerda caviar que comanda o Estado, né?"
R: Errado. Isso que foi exemplificado neste argumento foi o capitalismo de Estado, onde os meios de produção pertencem ao Estado: Estado este que redistribui os salários entre os trabalhadores, ficando com a maior parte da renda. O Estado aqui se torna um tirano. Mas isso não é socialismo. Socialismo é onde os trabalhadores são os proprietários dos meios de produção e não têm a sua força de trabalho explorada nem pelo Estado e nem pela burguesia. Socialismo é um sistema onde todo mundo trabalha muito e ganha muito. Quem trabalha muito e ganha pouco é o trabalhador assalariado através da escravidão do salário, algo muito comum em países capitalistas, especialmente os que tentaram aderir ao laissez-faire.

Enfim, por hoje, chega.

16 comentários:

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  2. Coitado, tão inocente...

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  3. Mesmo assim o Palmeiras não tem mundial, e não tem um pais socialista que esteja tão bem de vida quanto um capitalista, vlw flw.

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    1. Nem vou responder, corintiano frustrado é phoda.

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  4. Parabéns! Você não refutou ngm.
    e quanto a realidade, diga um país de esquerda que seja exemplo para a gente.

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    1. A visão coxinha da realidade é tão burra e maniqueísta que na cabeça deles só existe capitalismo e socialismo. Não sabe essa massa de ignorantes que entre o preto e o branco há centenas de tons de cinza. Não existe isso de "país de esquerda" ou "país de direita". O que existe são sistemas de governo que pendem mais para a direita ou para a esquerda. Se quer um exemplo de sucesso da esquerda, veja como a social democracia eliminou os miseráveis nos países escandinavos. Enquanto isso, políticas neoliberais (de menos Estado, privatizações e livre mercado) destruíram a economia de todos os países que foram implementados.
      Acorda, criança!

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    2. Só que não, Os países com maior livre mercado ou mais liberdade econômica estão entre os mais desenvolvidos do mundo .exemplo:TODOS os países de primeiro mundo.

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    3. Errado, errado e errado.

      Fontes:
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_de_bem-estar_social
      http://www.infoescola.com/sociedade/estado-de-bem-estar-social/

      Carl Sagan, um grande cientista do século 20, que nem era economista ou político, já denunciava os problemas dos EUA em não adotar uma política social democrata.

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  5. Os países escandinavos tem uma boa qualidade de vida não por causa de ideais progressistas ,e sim pelo livre mercado que lá existe

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    1. Olhe essas informações, por favor:

      https://pt.wikipedia.org/wiki/Modelo_n%C3%B3rdico
      https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_de_Liberdade_Econ%C3%B4mica

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  6. Olá tudo bom?
    Não entendi por que disse que os pobres pagam mais impostos, sendo que a maior arrecadação vem das empresas. E que pessoas em estado de pobreza estão vivendo do assistencialismo..
    Poderia me explicar?

    Abraços

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  7. kkkkkkkkkkkkkkkk fonte do cara é o wikipedia pqp

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    1. Pelo menos é mais confiável academicamente que o mimimises.org e o spotniks. Não gostou, traga uma fonte melhor.

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  8. Cara, desculpa te falar mas você não refutou ninguém. E a propósito, muitos dos países escandinavos estão em DECADÊNCIA graças a este sistema político-econômico designado por social-democracia e ao Estado de bem-estar social, ou Estado-Providência ou ainda Estado-Babá. Quem tem que acordar aqui é o senhor! Deveria ter vergonha de defender essa ideologia maligna e totalitária da esquerda. Mas você vai aprendendo com a vida, que as coisas não são como nós queremos e que a vida não te deve nada. Enfim, adeus.

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    1. Olha aí mais um neoliberal pobre adepto da religião do livre-mercado que tem medo do "Estado Malvadão".

      Países escandinavos estão em decadência? Você já viu a renda per capita deles? Você já procurou ao menos ver os indicadores sociais deles?
      E depois quando eu digo que o livre mercado é uma seita cheia de alucinados, tem gente que acha que é exagero...

      Agora volta lá pro teu mundo encantado de Mises e Hayek.

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