quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sou de esquerda desde pequenininho


Algumas pessoas me questionam quando foi que eu "escolhi" ser de esquerda. Eu confesso que nunca escolhi isso. Toda a história da minha vida, desde a mais tenra idade, foi marcada pela preocupação com os mais humildes e vulneráveis. Sempre me solidarizei e me preocupei com as pessoas mais necessitadas. Eu nunca consegui aceitar como natural que algumas pessoas tivessem tanto e outras tão pouco. Desde muito criança, eu dividia o meu lanche com os meus coleguinhas de escola que não tinham o que comer durante o recreio e sempre me solidarizei com as pessoas que sofriam bullying ou que eram excluídas dos grupos. Eu sempre deixei outras crianças brincarem com meus brinquedos e também doava roupas e brinquedos para aqueles que tinham menos que eu. Eu sempre fui solidário, generoso e preocupado com as pessoas. Isso sempre fez parte da minha essência como indivíduo.


Quando cheguei à adolescência, percebi que as desigualdades sociais não tinham qualquer relação com a meritocracia, porque pessoas NASCIAM pobres e eram marginalizadas pelo sistema que naturalizava essas desigualdades ao invés de tentar combatê-las. Também foi nesta época percebi a exploração da classe trabalhadora por uma elite financeira absolutamente parasitária e predatória que controlava (e controla) todo o sistema a seu favor. E foi justamente na adolescência que percebi que as pessoas que tinham uma preocupação mais social eram de esquerda. Eu passei a me identificar naturalmente com as pessoas que queriam combater as desigualdades na sua raiz através de um projeto político inclusivo.
Ser de esquerda, portanto, não foi uma escolha, mas, sim, um descobrimento para mim.


Essas pessoas que vem ao meu blog me xingar de "comunista", "petralha", "esquerdopata" e que me acusam de ganhar "dinheiro roubado do PT" não têm a mínima noção de quem eu sou ou de qual foi a história da minha vida. Sempre me causou indignação ver pessoas tendo tudo sem qualquer mérito e vendo outras sem nada mesmo se esforçando ao máximo para ter.
As pessoas que abominam a esquerda normalmente estão preocupadas com mercado, juros, investimentos e em pagar menos impostos. A grande preocupação dessa gente é em diminuir o Estado – não existe uma preocupação focada no social para eles. Não existe uma preocupação em combater as brutais desigualdades geradas pelo capitalismo: desigualdades essas que eles acham que pode ser resolvida por mágica através do livre mercado. Esses esquerdofóbicos – que são de direita por excelência – não estão dando a mínima para os mais necessitados e nem para os cuidados que o Estado precisa dar aos menos afortunados entre nós. Se o Estado não der assistência aos miseráveis, aos esfomeados, aos desabrigados e aos flagelados da seca, quem dará? O mercado? Esse mercado predatório que vive de práticas como holdings, trustes, dumpings, cartéis e monopólios? O mercado só quer uma coisa: lucro e o resto que se dane.


É por essas e outras que acho que ser de esquerda ou de direita é algo biológico mesmo. Pessoas que nascem com mais empatia tendem a focar na justiça social e em um Estado que cuide das pessoas sem desrespeitar as suas liberdades individuais. Enquanto que pessoas que nascem mais fechadas em si mesmas tendem a achar que é cada um por si num mundo competitivo e predatório. Eu, que sempre tive uma visão mais humanitária e inclusiva do ser humano, sou incapaz de tratar com desdém os problemas causados pela desigualdade social criminosa que existe no Brasil e no resto do mundo. O Estado tem a obrigação moral de oferecer saúde, educação e moradia gratuitamente para todos, especialmente em países onde a iniciativa privada controla a nossa política através do lobby e do dinheiro sujo para manter seus oligopólios. Eu jamais colocaria os anseios do mercado acima dos direitos do povo e dos trabalhadores. E além disso, o mais importante de tudo, temos que parar de nos enxergar como rivais e competidores uns dos outros e passar a viver como uma grande família de 7 bilhões de pessoas. Essa loucura de mercado predatório, de competição, de selva social, de o homem ser lobo do próprio homem precisa acabar. Como já dizia Jacque Fresco: essa merda precisa acabar! Temos que viver como irmãos e combater toda essa violência, essa desigualdade, essa inveja, esse egoísmo, essa soberba e esse consumismo irresponsável em nome de uma humanidade verdadeiramente humana. Temos que abraçar sistemas cooperativos e sustentáveis para que possamos viver em um mundo minimamente digno.

E reitero: sou de esquerda, sim: e com todo orgulho do mundo!
E DANE-SE se você não gosta disso.


3 comentários:

  1. Então vc
    Deveria ter morrido
    Mais cedo,
    Pra não ficar esquerditizando,
    Os outros.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Desejar a morte dos outros, que coisa mais fofa para uma democracia, não?

      Excluir
  2. vc não fala serio quando se diz comunista

    ResponderExcluir